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Adnan, Etel
Etel Adnan (Beirute, Líbano, 1925)Five Senses for One Death, 1969- Cinco sentidos para uma morte, 1969
- Tinta e aguarela sobre papel
- 27.9 x 647.7 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2016
- Poeta e artista plástica, Etel Adnan desenvolveu "leporellos" - livros de tradição japonesa que se desdobram como um acordeão - desde os anos 1960, combinando expressões visuais e verbais através da inscrição conjunta de poemas árabes e dos seus próprios textos poéticos e aguarelas. Partindo desta construção de palavra, imagem e forma, "Five Senses for One Death" tem como ponto de partida um poema homónimo de Adnan. A viver em França e nos Estados Unidos desde os anos 1950, Etel Adnan desenvolveu um trabalho que atravessa culturas e disciplinas - nomeadamente poesia, pintura, desenho, tapeçaria, cerâmica e filme -, movendo-se livremente entre as diversas vertentes do seu trabalho escrito e visual. A natureza e a guerra são fios condutores na prática da artista, que explora as dimensões políticas e pessoais da violência de um mundo tumultuoso. Ao articular a sua experiência nómada de deslocamento com a memória de paisagens familiares, Adnan reflete sobre as realidades traumáticas do nosso tempo, mas também sobre a beleza e o poder emocional e físico do mundo natural.
Almeida, Helena
Helena Almeida (Lisboa, Portugal, 1934 - Sintra, Portugal, 2018)Sem título, 1968- Tinta acrílica sobre tule
- 130 x 97 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1999
- Esta obra antecede a viragem para a fotografia no trabalho de Helena Almeida e faz parte de um conjunto de obras em que a artista inicia uma análise crítica da pintura, questionando os seus meios tradicionais e as suas circunstâncias representacionais. Os seus trabalhos deste período sugerem a determinação em romper com o plano pictórico, focando a atenção nas condições literais e físicas da pintura, incluindo a materialidade das suas estruturas de suporte. Noutros trabalhos da mesma época, a artista acrescenta à pintura elementos como estores e portadas, que evocam a ideia de janelas desprovidas de função e funcionam como metáfora para o desaparecimento do conceito clássico da pintura como uma "janela aberta para o mundo". Nas suas pinturas iniciais, Helena Almeida introduz as preocupações centrais que irão definir a sua prática artística, desenvolvida em diversos meios, particularmente um interesse em ultrapassar os limites do espaço pictórico e narrativo que manteve na sua obra um papel crucial.
Helena Almeida (Lisboa, Portugal, 1934 - Sintra, Portugal, 2018)Tela rosa para vestir, 1969- Fotografia p/b
- 58 x 48 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2000
- "Tela rosa para vestir" é a primeira obra em suporte fotográfico realizada por Helena Almeida e é emblemática da sua intenção de questionar os limites do espaço pictórico. A artista posa para a câmara vestida com uma tela rosa com mangas. Nas suas palavras, "a tela converteu-se numa figura antropomórfica"; mas em vez de um autorretrato, o trabalho torna-se a representação do corpo da artista como suporte para a apresentação da pintura. Esta reflexão crítica sobre a criação, a apresentação e a perceção da pintura, parte do trabalho desenvolvido pela artista entre 1968 e 1969, define toda a sua obra: por um lado, a fotografia assume-se como um meio para proceder a uma investigação sobre a natureza da representação e do espaço pictórico; por outro lado, as suas reflexões sobre a pintura convocam o corpo como elemento primordial da composição plástica. Como a própria artista afirma: "A minha pintura é o meu corpo, a minha obra é o meu corpo".A identificação entre corpo e obra é uma das marcas fundamentais do trabalho de Helena Almeida, questionando através dele disciplinas tradicionais como a pintura, o desenho, a escultura ou a fotografia enquanto mecanismos de apresentação e representação da realidade.
Helena Almeida (Lisboa, Portugal, 1934 - Sintra, Portugal, 2018)Pintura habitada, 1975- Tinta acrílica sobre fotografia p/b
- 46 x 50 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1999
- Nas "Pinturas habitadas" de Helena Almeida, a pintura é reduzida aos seus elementos essenciais: traços ou manchas sobrepostos a fotografias a preto e branco da artista a pintar sobre a sua própria imagem refletida. O tom de azul da pintura, resultante da mistura de azul ultramarino e azul-cobalto foi o mais conotado com energia e espaço que a artista conseguiu obter para conferir movimento a gestos que, de outro modo, permaneceriam estáticos. O espaço destas obras é um ecrã que funciona como ponto de confluência da realidade e da representação, da pintura propriamente dita e do ato de pintar. O espelho onde Almeida aparece duplicada cinde o plano fotográfico em dois espaços - um dentro e um fora - que criam um terceiro - o do plano da imagem - que une os dois e inverte as posições relativas do pintor e do espectador e o estatuto dos respetivos espaços. Como a própria Almeida declarou em 1976, "ao colocar-me como ‘artista’ no espaço real e ao espectador no espaço virtual, ele troca de lugar com o suporte, tornando-se ele próprio espaço imaginário". Ao contrário de outras "Pinturas habitadas" nas quais a artista observa o movimento da sua mão conduzindo o pincel pela superfície espelhada, nesta obra específica o olhar dirige-se para o lugar onde o pincel e o seu próprio olhar refletido se intersetam. É este modo subtil de fazer coincidir a realização da pintura com o reconhecimento de si mesma que esclarece o seu comentário em 1978: "Tentar abrir um espaço, sair custe o que custar, é um sentimento muito forte nos meus trabalhos. (...) De toda a maneira já consegui sair pela ponta dos meus dedos".O método de trabalho de Helena Almeida mantém-se inalterado desde que, em 1969, começou a trabalhar com fotografia. Aos desenhos preparatórios, concisos e de contornos definidos, seguem-se fotografias preliminares e, a partir dos anos 1980, registos em vídeo, usados para ensaiar gestos e enquadramentos. Quando a imagem fotográfica é captada, tudo se conjuga para corresponder à intenção de, como a artista afirma, "pôr as coisas de forma a que as pessoas as vejam".A identificação entre corpo e obra é uma das marcas fundamentais do trabalho de Helena Almeida, questionando através dele disciplinas tradicionais como a pintura, o desenho, a escultura ou a fotografia enquanto mecanismos de apresentação e representação da realidade.
Helena Almeida (Lisboa, Portugal, 1934 - Sintra, Portugal, 2018)Desenho habitado, 1977- Fotografia p/b com fio de crina (3 elementos)
- 31 x 48.5 cm (cada)
- Col. Secretaria de Estado da Cultura, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990
- Helena Almeida, artista consagrada portuguesa, usa o seu corpo como extensão do desenho, da pintura e da fotografia. Nos seus "Desenhos habitados" a artista recorre a fio de crina como elemento tangível tridimensional que transpõe a superfície fotográfica para entrar em diálogo com o espectador. Explorando a fronteira entre desenho e escultura e as qualidades espaciais do material para desestabilizar a bidimensionalidade da fotografia, Almeida reforça a dimensão performática do seu trabalho usando o seu corpo como meio de surgimento da obra e como obra em si mesmo.A identificação entre corpo e obra é uma das marcas fundamentais do trabalho de Helena Almeida, questionando através dele disciplinas tradicionais como a pintura, o desenho, a escultura ou a fotografia enquanto mecanismos de apresentação e representação da realidade.
Helena Almeida (Lisboa, Portugal, 1934 - Sintra, Portugal, 2018)Desenho habitado, 1977- Fotografia p/b com fio de crina (6 elementos)
- 39.9 x 50.5 cm (cada)
- Col. Secretaria de Estado da Cultura, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990
- Helena Almeida, artista consagrada portuguesa, usa o seu corpo como extensão do desenho, da pintura e da fotografia. Nos seus "Desenhos habitados" a artista recorre a fio de crina como elemento tangível tridimensional que transpõe a superfície fotográfica para entrar em diálogo com o espectador. Explorando a fronteira entre desenho e escultura e as qualidades espaciais do material para desestabilizar a bidimensionalidade da fotografia, Almeida reforça a dimensão performática do seu trabalho usando o seu corpo como meio de surgimento da obra e como obra em si mesmo.A identificação entre corpo e obra é uma das marcas fundamentais do trabalho de Helena Almeida, questionando através dele disciplinas tradicionais como a pintura, o desenho, a escultura ou a fotografia enquanto mecanismos de apresentação e representação da realidade.
Almeida, Sónia
Red Signal, 2013- Óleo sobre contraplacado marítimo e LEDs
- 152.4 x 228.6 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2014
- Os trabalhos abstratos de Sónia Almeida (Lisboa, 1978) resultam de uma série de ações através das quais a artista converte a experiência visual do quotidiano numa série de formas ambíguas, que desafiam a perceção do espectador." Red Signal" [Sinal vermelho] (2013) pode representar uma hélice dupla, o símbolo do infinito ou um gráfico. A pintura de Sónia Almeida parte frequentemente de imagens e objetos do quotidiano da artista. Uma vez registados nos seus cadernos de esboços, estes elementos são fragmentados, estilizados reenquadrados ou sobrepostos, surgindo como composições pictóricas que frustram qualquer tentativa de as organizar em sistemas de signos inteligíveis. As suas obras envolvem-se num sofisticado jogo de aproximação e recuo baseado nas duas tradições históricas maiores da pintura: a sua vocação representativa e a exploração formal.
Alves, Armando
Armando Alves (Estremoz, Portugal, 1935)Sem título, 1969- Tinta sintética sobre madeira
- 100 x 108 x 28 cm
- Col. privada, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1999
- A partir do final dos anos 1960, Armando Alves começou a fazer "objetos-esculturas" monocromáticos, incluindo esta obra influenciada pela arte pop. Dominadas pela vividez cromática, depuração compositiva, efeitos de volume e flutuações lumínicas, as obras deste período apresentam elementos disruptivos como fendas, pregas, rugas, dobras ou torções, assimilando valores abstracionistas e construtivistas e design gráfico.
Armando Alves (Estremoz, Portugal, 1935)Sem título, 1973- Tinta sintética sobre madeira
- 101 x 111 x 20 cm
- Col. Museu Nacional de Soares dos Reis, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990
- A partir do final dos anos 1960, Armando Alves começou a fazer "objetos-esculturas" monocromáticos, incluindo esta obra influenciada pela arte pop. Dominadas pela vividez cromática, depuração compositiva, efeitos de volume e flutuações lumínicas, as obras deste período apresentam elementos disruptivos como fendas, pregas, rugas, dobras ou torções, assimilando valores abstracionistas e construtivistas e design gráfico.
Armando Alves (Estremoz, Portugal, 1935)Objecto, s.d.- Tinta sintética sobre madeira
- 63 x 100.5 x 34 cm
- Col. privada, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2002
- A partir do final dos anos 1960, Armando Alves começou a fazer "objetos-esculturas" monocromáticos, incluindo esta obra influenciada pela arte pop. Dominadas pela vividez cromática, depuração compositiva, efeitos de volume e flutuações lumínicas, as obras deste período apresentam elementos disruptivos como fendas, pregas, rugas, dobras ou torções, assimilando valores abstracionistas e construtivistas e design gráfico.
Antunes, Leonor
"a spine wall supressed all draughts", 2008- "uma parede mestra suprimiu todas as correntes de ar", 2008
- Couro, corda (2 elementos). Ed. 1/1
- 8 x 90 x 300 cm (cada)
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2013
- "a spine wall supressed all draughts" ["uma parede mestra suprimiu todas as correntes de ar"] pertence a um grupo de trabalhos que Leonor Antunes concebeu a partir da sua pesquisa sobre a E-1027, uma moradia no litoral marítimo do Sul de França projetada por Eileen Gray e Jean Badovici e construída entre 1926 e 1929. Nesta série de trabalhos, a artista produziu duplicados de cada uma das esculturas para que o mesmo objeto possa ser percecionado de diversas formas quando colocado em diferentes situações espaciais. O título da obra é um excerto do texto "Eclecticism to Doubt", um diálogo entre Gray e Badovici sobre a casa.A escultura é composta por dois rolos de couro preto que reproduzem uma parede ondulada em fibra de vidro que existia no piso inferior. O uso de um material maleável confere à réplica da artista uma flexibilidade que no original é apenas ilusória.Leonor Antunes explora as relações entre escultura, arquitetura, design e artes decorativas. Pesquisadora atenta de alguns dos mais icónicos edifícios do século XX, a artista apropria-se de elementos formais recolhidos no âmbito da sua investigação, dando-lhes novos contextos para questionar o modo como olhamos para a modernidade e sua receção crítica. A medida, a escala, a proporção e o caráter dúctil dos materiais, como o couro, a borracha e vários metais, são elementos fundamentais no trabalho da artista, que cria assim espaços de tensão entre a serialidade e a manufatura. As constantes referências a Gray, Flávio de Carvalho e Carlo Mollino, combinadas com formas, técnicas e materiais que aludem ao trabalho de artistas como Eva Hesse e Carol Rama, revelam a sua convicção de que o que resta ao artista é a tarefa de recombinar materiais culturais.
"avoiding the mistral wind", 2008- "evitando o vento mistral", 2008
- Madeira, couro (3 elementos). Ed. 1/1
- Dimensões variáveis
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2013
- "avoiding the mistral wind" ["evitando o vento mistral"] pertence a um grupo de trabalhos que Leonor Antunes concebeu no contexto da pesquisa que tem desenvolvido sobre figuras centrais da arquitetura modernista, como Eileen Gray, Carlo Mollino, Robert Mallet-Stevens, Flávio de Carvalho, Jean Prouvé e Buckminster Fuller.A escultura é composta por três biombos construídos em couro e madeira que dividem o espaço de exposição em compartimentos de escala doméstica, criando uma relação entre o corpo, a exposição e o espaço doméstico. O título refere-se a uma passagem do diálogo entre Eileen Gray e Jean Badovici sobre a casa E-1027, uma moradia no litoral sul de França que ambos projetaram e que foi construída entre 1926 e 1929. Isto leva-nos a ver o trabalho como um conjunto de quebra-sóis rotativos, estruturas permanentes para proteger do sol, instaladas nas fachadas dos edifícios para bloquear e redireccionar a luz e o vento, primeiramente aplicadas por Le Corbusier e interpretadas de muitas formas por diferentes arquitectos modernistas. O título também alude às divisórias ou aos painéis amovíveis pelos quais Eileen Gray era famosa. Investigadora atenta da arquitetura modernista do século XX, Leonor Antunes explora as relações entre escultura, arquitetura, design e artes decorativas. A medida, a escala, a proporção e o caráter dúctil dos materiais, como o couro, a borracha e vários metais, são elementos fundamentais no trabalho da artista, que cria assim espaços de tensão entre a serialidade e a manufatura. As constantes referências a Gray, Flávio de Carvalho e Carlo Mollino, combinadas com formas, técnicas e materiais que aludem ao trabalho de artistas como Eva Hesse e Carol Rama, revelam a sua convicção de que o que resta ao artista é a tarefa de recombinar materiais culturais.
"paving stones across the garden", 2008- "pavimento disperso pelo jardim", 2008
- Couro (2 elementos). Ed. 2 + 1 P.A.
- Dimensões variáveis
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2013
- "paving stones across the garden" ["pavimento disperso pelo jardim"] pertence a um grupo de trabalhos que Leonor Antunes concebeu a partir da sua pesquisa sobre a E-1027, uma moradia no litoral marítimo do Sul de França, projetada por Eileen Gray e Jean Badovici e construída entre 1926 e 1929. Os trabalhos desta série são constituídos por elementos idênticos, permitindo diferentes perspetivas quando colocados em diferentes situações espaciais. O título é extraído de "Eclecticism to Doubt", um diálogo entre Gray e Badovici sobre a casa.Neste trabalho, Leonor Antunes apropriou-se do desenho de Gray para uma estrutura modular em azulejo para o jardim da casa, respeitando as suas dimensões. Feitos de couro, um material facilmente moldável, os dois elementos de paving stones estão instalados de uma forma que se assemelha deliberadamente ao modo como Eva Hesse costumava instalar os seus próprios trabalhos: um no chão e o outro montado no chão e na parede, criando um ângulo e um espaço entre ambos.
Artigas, 2014- Latão, corda de cânhamo
- 340 x 170 x 5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2014
- "Artigas" (2014) foi inspirada por uma visita de Leonor Antunes (Lisboa, 1972) à casa que o arquiteto brasileiro João Vilanova Artigas (1915-1985) desenhou em 1949 para a sua família em São Paulo. Concebida como uma cortina suspensa, uma fina estrutura em treliça, esta organização reticular é transformada numa rede, como uma espécie de véu. O método de suspensão, usando uma configuração quadrilateral com uma corda de cânhamo, sugere um tipo de sustentação masculina para o ecrã visualmente diáfano da escultura. As dimensões escultóricas e táteis da rede de latão e da corda dependem de simples ações manuais como esticar, dobrar, puxar e atar, numa subversão poética da estrutura racional.
Araújo, Vasco
Vasco Araújo (Lisboa, Portugal, 1975)O Jardim, 2005- Vídeo, cor, som, 9'44''. Ed. 3/5 + 2 P.A.
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2007
- Em "O Jardim" Vasco Araújo utiliza excertos de duas obras canónicas da Antiguidade Clássica: a "Odisseia" e a "Ilíada" de Homero. Duas mulheres e três homens - encarnados por esculturas de africanos em bronze, filmadas em grande plano - mantêm uma "conversa" surpreendentemente atual sobre a condição do estrangeiro. As esculturas pertencem ao antigo Jardim Colonial (hoje Jardim Tropical), em Lisboa, integrado na Exposição do Mundo Português de 1940. Recriação do ambiente e das paisagens das colónias portuguesas, este jardim constitui a representação em miniatura do império colonial português na ótica da propaganda e da ideologia do Estado Novo. O trabalho deste artista, marcado por um forte carácter cénico, é povoado por um universo de referências literárias, históricas e culturais como a ópera e a mitologia clássica. Constantes na obra de Vasco Araújo são também a problematização da nossa relação com a diferença - sexual, racial - e uma reavaliação crítica do passado colonial português.
Areal, António
António Areal (Porto, Portugal, 1934 - Lisboa, Portugal, 1978)XVI Desenhos, 1968- Tinta-da-china e aguarela sobre papel (16 elementos). Ed. 1/22
- 37.5 x 28.5 cm (cada)
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2011
- A observação atenta das formas abstratas presentes em "XVI Desenhos" faz descobrir uma montagem de fragmentos de objetos como janelas, caixões e perfis de árvores. As cores simples e uniformes, de tendência pop, são usadas com a intenção de anular o teor sentimental e literário que António Areal encontrava nas texturas e gradações cromáticas da pintura abstrata informal. A capa que envolve estes desenhos contém uma inscrição dactilografada que afirma que os vinte e dois exemplares realizados são "rigorosamente idênticos", ou seja, cópias perfeitas uns dos outros e, ao mesmo tempo, "obras originais". Deste modo, Areal põe em causa o sistema de atribuição de valor à arte e alerta para o facto de estes dezasseis desenhos formarem uma unidade que não deve ser desmembrada.
Artschwager, Richard
Richard Artschwager (Washington DC, EUA, 1923 - Albany, EUA, 2013)Locations, 1969- Localizações, 1969
- Fórmica sobre madeira, madeira, vidro, espelho, acrílico, crina de cavalo impregnada de borracha com ácido metanóico (6 elementos). Ed. 39/90
- Dimensões variáveis
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- A obra "Locations" [Localizações] é composta por cinco pequenos objetos, de dimensões aproximadas e forma ovular, quatro pendurados na parede e o outro suspenso do teto. O título, que parece sugerir que estas localizações são apenas uma entre vários possíveis, sublinha o caráter determinante do contexto na definição da obra de arte, estatuto a que qualquer objeto - ainda que com um aspeto vulgar e produzido em série - pode aspirar, como o demonstrou Artschwager ao fazer desta banal forma ovular sua imagem de marca.Considerado um dos nomes mais singulares da arte norte-americana do pós-guerra, Richard Artschwager começou a sua vida profissional nos anos 1950, trabalhando como designer e fabricante de mobiliário. Esta atividade viria a marcar profundamente o trabalho artístico que começa a desenvolver na década seguinte: integrando materiais sintéticos e de fabrico industrial, as suas esculturas evocam frequentemente objetos funcionais.A obra de Artschwager resulta do encontro de diferentes estéticas, como o minimalismo, o conceptualismo ou a arte pop, através dos quais o artista explora o seu interesse pelas formas quotidianas e pela distinção entre arte e design, desafiando estas disciplinas através da perceção e ilusão.
Richard Artschwager (Washington DC, EUA, 1923 - Albany, EUA, 2013)BLP, 1969- Aço pintado
- 115 x 37.5 x 37.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1999
- Richard Artschwager cunhou a palavra "blp" para designar as suas criações abstratas ovais. Estas obras, feitas em diversas escalas, volumes e materiais são colocadas em diferentes locais, desde galerias a estações de metro. São concebidas como marcas que pontuam o espaço e o interrompem, chamando a atenção para o ambiente que as envolve, que poderia passar despercebido a um olhar menos atento.
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