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Cabrita
Cabrita (Lisboa, Portugal, 1956)Um quarto dentro da parede, 1989- Madeira pintada
- 200 x 240 x 3.5 cm
- Col. Peter Meeker, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1999
- Pedro Cabrita Reis iniciou o seu percurso artístico nos primeiros anos da década de 1980. Compostas por elementos ou fragmentos domésticos e do quotidiano organizados em estruturas mais ou menos abstratas à escala humana, as suas obras, frequentemente próximas do conceito de instalação, demonstram uma particular sensibilidade para a ocupação do espaço.A utilização de um leque muito variado de materiais de grande simplicidade e banalidade (madeira, vidro, plástico, acrílico, borracha, gesso, metal, linho, tela e feltro), o constante diálogo com a história da arte e a combinação de memórias, gestos e ações da vida quotidiana acentuam a marcada índole metafórica das criações de Cabrita Reis. Em "Um quarto dentro da parede", uma minúscula e delicada cadeira como que completa e preenche o espaço de um quarto até ali vazio.
Cabrita (Lisboa, Portugal, 1956)Inferno, 1989- Tinta sobre madeira, cerâmica, resinas sintéticas
- 107 x 65.5 x 201 cm
- Col. Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2000
- Numa extensa e poética reflexão sobre imagens e memória, Pedro Cabrita Reis tem utilizado, desde a década de 1980, uma multiplicidade de meios como o desenho, a pintura, a escultura, a instalação e a fotografia."Inferno" realça sobretudo a importância que a dimensão metafórica tem tido no trabalho deste artista. Cabrita Reis explora o potencial semântico e metafórico dos materiais utilizados, como cerâmica, resinas sintéticas e cera derretida sobre papel de embrulho. Cabrita Reis sugere noções de ocupação e de ritual, empregando uma intrigante sensibilidade cénica que privilegia subjetividade e memória.
Cabrita (Lisboa, Portugal, 1956)Echo der Welt I, 1993- Eco do mundo I, 1993
- Madeira, gesso cartonado, tijolos, serapilheira, cadeira e mesa de madeira, radiador, jarro de água, óleo sobre cartão, desenho sobre papel vegetal, livro, tubos de cobre, mangueira de borracha, cabos eléctricos, lâmpadas
- 304 x 500 x 133 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- Parte de um conjunto de três obras realizadas entre 1993 e 1994, "Echo der Welt I" [Eco do mundo I] demonstra a abordagem de Pedro Cabrita Reis à obra de arte como um meio para o desenvolvimento de conceitos especulativos e filosóficos. Segundo o artista, o trabalho é um "posto de escuta", morfologicamente semelhante a uma casa, um dispositivo dentro do qual o sujeito se torna virtualmente um "protótipo do mundo". Antes da cidade que o tem ocupado em anos mais recentes, a casa é um tema recorrente na obra de Cabrita Reis enquanto arquétipo que dá forma física ao distanciamento entre o homem e a natureza e funciona simultaneamente como metáfora da abertura para mais conhecimento. Reservatórios, observatórios, pontes, caminhos e condutas são desdobramentos da ideia de casa que a enriquecem de referentes associados à produção, acumulação e distribuição de energias ligadas à vida. "Echo der Welt I" revela uma prática de recolha de elementos e objetos usados na construção e no quotidiano, como tijolos, mangueiras, contraplacados, jarros e mobiliário. O artista interpreta-os como "desperdícios da memória" aptos para uma reelaboração dos seus valores semânticos originais, o que intensifica, complexifica e torna ambíguos os seus sentidos implícitos. A consideração da dimensão poética e subjetiva da criação plástica, que distingue os objetos artísticos de outro tipo de objetos, revela o protagonismo dos significados, em detrimento da forma, que associa a obra de Cabrita Reis ao processo de renovação da escultura ocorrido a partir de meados da década de 1980. Apesar de conter vários indícios das atividades primordiais da existência humana, como a alimentação, o repouso e o abrigo," Echo der Welt I" assemelha-se a uma cabina técnica na qual a medição e a reconfiguração do mundo se processam através dos tempos lentos da espera. A ausência de paredes exteriores e a elevação de toda a estrutura em relação ao solo exprimem aquilo que o curador e crítico de arte Germano Celant descreveu como uma "teatralidade suspensa". Mais do que isso, as mangueiras de borracha e os tubos de cobre que a envolvem parecem substituir órgãos humanos e mecanizar a condução dos fluxos vitais, sugerindo a convergência entre a casa e o eu. No limite, esta obra aborda o desejo romântico de concretização de uma mundividência que é o grande arquétipo norteador da relação entre o homem e a realidade, ideia reforçada pela inclusão de um pequeno autorretrato (entretanto perdido). Nas palavras do próprio artista, a "casa virá, então, enquanto lugar do humano, a ser o modelo real da perfeição do mundo."
Cabrita (Lisboa, Portugal, 1956)One Floor, One Floor Plan, 2004- Viga metálica, madeira, alumínio, poliéster sobre tapete
- 82 x 441.5 x 280 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2012
- A obra de Pedro Cabrita Reis começou desde o início dos anos 1980 a desenvolver uma particular sensibilidade para a ocupação do espaço. Criados numa escala próxima do monumento, fragmentos do quotidiano surgem em estruturas mais ou menos abstratas. A utilização de um leque muito variado de materiais de grande simplicidade e banalidade (madeira, vidro, plástico, acrílico, borracha, gesso, metal, linho, tela e feltro), o constante diálogo que mantém com a história da arte, e a combinação de memórias, gestos e ações da vida quotidiana, acentuam o forte ímpeto metafórico que as suas criações sempre evidenciam.
Cabrita (Lisboa, Portugal, 1956)I dreamt your house was a line (...), 2003 - 2016- Tinta acrílica sobre parede, alumínio, armaduras de luz pintadas, luzes fluorescentes
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2017
- Apesar da sua formação como pintor, Pedro Cabrita Reis (Lisboa, 1956) é sobretudo conhecido pelas suas amplas instalações e construções. Os seus materiais de eleição são tábuas, tijolos, ferro, placas de vidro e lâmpadas fluorescentes, objetos que provêm do mundo do trabalho e da indústria e cuja origem o artista resiste a modificar ou dissimular. É o próprio quem afirma: "Em escultura, interessa-me o ato de construir. Há escultores que modelam (?), mas eu incluo-me na família dos que constroem, dos que põem uma coisa sobre outra, que ligam duas coisas, que ligam uma pedra com um bocado de madeira, um ferro com um bocado de vidro, que têm que estudar como é que as coisas se ligam. Qualquer peça é, de certa forma, uma metáfora sobre o ato de construção. O ato de construção que é, a meu ver, aquilo que define a humanidade mais do que outra coisa qualquer".A instalação "I Dreamt Your House Was a Line (Dartmouth version), embora dialogando com estruturas edificadas e a linguagem da construção, é simultaneamente uma forma expandida de pintura, em que questões como figura e fundo, gesto, abstração, perceção ótica e corpórea assumem uma escala arquitetónica.
Calhau, Fernando
Fernando Calhau (Lisboa, Portugal, 1948 - Lisboa, Portugal, 2002)Sem título, 1974- Tinta acrílica sobre tela
- 110 x 110 cm
- Col. Secretaria de Estado da Cultura, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990
- Procurando um apagamento crescente do traço manual do artista através do uso de spray ou tinta industrial, esta obra sem título insere-se numa série de quadros verdes realizados por Fernando Calhau na década de 1970. O verde ácido é usado para evitar as conotações associadas às cores primárias. O quadrado, matriz formal desta pintura, surge emoldurado por uma gradação cromática que desencadeia uma estimulação ótica, desestabilizando a sua geometria: os vértices parecem expandir-se para além da superfície do quadro e o quadrado central de menores dimensões parece progredir na direção do espectador.Fernando Calhau desenvolveu um percurso disciplinarmente variado, sempre marcado pelo rigor e pela depuração. A sua prática artística inicia-se na gravura, pintura e desenho e estende-se posteriormente à fotografia, ao filme e ao vídeo. Nesta multiplicidade de meios, a pintura é o dispositivo que articula as diferentes dimensões do seu trabalho, circunscrevendo o interesse pela reprodutibilidade mecânica e a serialidade, o monocromatismo, a manufatura ou a decomposição espaçotemporal através da reprodução fotográfica.
Fernando Calhau (Lisboa, Portugal, 1948 - Lisboa, Portugal, 2002)# 99 (Materialização de um quadrado imaginário), 1974- Fotografia a cor e tinta-da-china sobre papel fotográfico
- 20.5 x 28.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1999
- Parte de um projeto inacabado, esta sequência fotográfica acompanha a ação da mão do artista traçando as linhas de uma tarefa impossível: desenhar no espaço. A rigidez geométrica do quadrado contrasta com a fluidez dos elementos naturais. Variação de um motivo recorrente na obra de Calhau - o quadrado -, esta obra mostra o artista no ato original de criação (inscrevendo-se na pesquisa sobre o espaço e o tempo persistentemente problematizada na sua obra) mas poderia também ser uma alusão política à materialização de um novo país democrático no pós-25 de Abril de 1974.Fernando Calhau desenvolveu um percurso disciplinarmente variado, sempre marcado pelo rigor e pela depuração. A sua prática artística inicia-se na gravura, pintura e desenho e estende-se posteriormente à fotografia, ao filme e ao vídeo. Nesta multiplicidade de meios, a pintura é o dispositivo que articula as diferentes dimensões do seu trabalho, circunscrevendo o interesse pela reprodutibilidade mecânica e a serialidade, o monocromatismo, a manufatura ou a decomposição espaçotemporal através da reprodução fotográfica.
Carneiro, Alberto
Alberto Carneiro (S. Mamede do Coronado, Portugal, 1937 - Porto, Portugal, 2017)O mar prolonga-se em cada um de nós, 1968 - 1969- Ferro, areia, fotografia p/b
- 200 x 400 x 800 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1999
- "O mar prolonga-se em cada um de nós" faz parte de "As três extensões da natureza", um conjunto de trabalhos em que Alberto Carneiro desenvolve uma série de pesquisas acerca da perceção dos ambientes naturais. As duas estruturas de ferro que compõem esta obra relacionam-se através dos elementos que nelas estão depositados: num caso, um pequeno monte de areia sugere uma paisagem real; no outro, fotografias a preto e branco mostram uma representação dessa paisagem, uma praia com rochas batidas pelas ondas do mar. A abertura da obra ao espaço em redor e a evocação das memórias do contacto do corpo com a natureza (através da areia) apontam para o envolvimento percetivo e sensorial que o artista explorará mais intensamente em obras subsequentes.Alberto Carneiro insere-se na tendência internacional da land art ou earth works que, a partir de finais da década de 1960, tomou a natureza e a paisagem como ponto de partida para obras realizadas fora do ateliê e dos espaços tradicionais da galeria ou do museu. O recurso às matérias naturais em bruto, o uso da fotografia como mediador da relação do sujeito com a natureza, a abordagem antropológica e estética às formas resultantes das atividades agrícolas são alguns dos meios através dos quais Alberto Carneiro contribuiu para a renovação da escultura portuguesa ocorrida a partir da segunda metade dos anos 1960.
Alberto Carneiro (S. Mamede do Coronado, Portugal, 1937 - Porto, Portugal, 2017)Os quatro elementos - Segunda homenagem a Gaston Bachelard, 1969 - 1970- Ferro, plástico, fotografia p/b sobre papel, laranjeira, água, terra, carvão
- 200 x 200 x 200 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1999
- Alberto Carneiro é considerado um pioneiro da arte conceptual em Portugal e ao longo de toda a sua carreira tem desenvolvido uma singular relação entre arte e natureza. "Os 4 elementos" foi exposto pela primeira vez em Serralves na exposição antológica do artista em 1991 na Casa de Serralves. Nesta obra, Alberto Carneiro aborda a natureza através da sua decomposição nos seus componentes essenciais: ar, água, terra e fogo. O artista propõe um espaço dentro do espaço ? uma estrutura cúbica de ferro e plástico contém terra, água, madeira carbonizada e uma árvore viva, referentes dos quatro elementos também evocados nas fotografias distribuídas pelas paredes da estrutura.
Alberto Carneiro (S. Mamede do Coronado, Portugal, 1937 - Porto, Portugal, 2017)Ser árvore e arte, 2000 - 2002- Árvore, terra, relva, pedra, madeira, vidro com texto
- c. Ø 1600 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2002
- Alberto Carneiro desenvolve uma relação notável entre a arte e a natureza. "Ser árvore e arte" é característica da obra de Alberto Carneiro na sua relação com a natureza e a experiência do observador. Sete buracos em volta de uma árvore forrados de pedras estão cobertos com painéis de vidro onde se inscrevem palavras. Ao lado de cada buraco vêem-se montes de terra resultantes das escavações do artista. A disposição em círculo é uma referência à mandala enquanto representação geométrica da relação do homem com o cosmo. À medida que se aproximam dos painéis de vidro, os observadores podem ver não só o reflexo dos ramos da árvore ao centro, mas, também, o reflexo deles próprios, estabelecendo uma comunhão entre corpo humano, natureza e arte. Esta obra foi encomendada para o Parque Serralves e instalada em 2002 no âmbito do programa Porto 2001: Capital Europeia da Cultura.
Alberto Carneiro (S. Mamede do Coronado, Portugal, 1937 - Porto, Portugal, 2017)Paisagens imaginadas sobre recordações de paisagens com uma imagem do teu ser imaginante (Caderno 1), 2012- Grafite sobre papel (16 elementos)
- 29.4 x 41 cm cada
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2015
- Embora conhecido sobretudo como escultor, o desenho tem sido um dos alicerces da prática artística de Alberto Carneiro (Coronado, 1937) ao longo de toda a sua carreira. Expressão da memória que o artista conserva da paisagem, estes cenários imaginados demonstram a consistência e a persistência com que Carneiro trabalha o papel da imaginação na criação artística.Com uma carreira com mais de cinco décadas, Alberto Carneiro é uma das figuras mais representativas da arte portuguesa contemporânea. O seu processo de trabalho cruza um método analítico de compreensão da realidade visível com uma consciência profunda e poética dos gestos que dão origem à obra de arte. Partindo da sua própria relação subjetiva, corporal e mental com os materiais que trabalha, Carneiro cria obras que funcionam como arquétipos do modo como o indivíduo experimenta e habita a natureza.
Carvalho, Zulmiro de
Escultura, 1968- Ferro pintado
- 201 x 105 x 56 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1999
- Zulmiro de Carvalho desenvolve o seu trabalho nas áreas da escultura e do desenho. Depois de trabalhar inicialmente com metal, nomeadamente o ferro, estende o leque de materiais utilizados à pedra e à madeira. A sua prática artística carateriza-se pelo recurso a sistemas formais modulares, que remetem para o minimalismo, na perspetiva de questionar noções associadas à tradição da escultura. O artista cria esculturas que evidenciam uma essencialidade e um despojamento estruturais, utilizando um vocabulário plástico depurado, caracterizado pela regularidade das linhas, texturas e cor e pelo uso de formas simples e repetitivas.
Tendente 1.10, 3.10, 4.10, 1969- Lacado sobre madeira (3 elementos)
- Dimensões variáveis
- Col. artista, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2000
- Zulmiro de Carvalho desenvolve o seu trabalho nas áreas da escultura e do desenho. Depois de trabalhar inicialmente com metal, nomeadamente o ferro, estende o leque de materiais utilizados à pedra e à madeira. A sua prática artística carateriza-se pelo recurso a sistemas formais modulares, que remetem para o minimalismo, na perspetiva de questionar noções associadas à tradição da escultura. O artista cria esculturas que evidenciam uma essencialidade e um despojamento estruturais, utilizando um vocabulário plástico depurado, caracterizado pela regularidade das linhas, texturas e cor e pelo uso de formas simples e repetitivas.
Curvatura, 1970- Chapas de alumínio pintado (3 elementos)
- 100 x 300 x 200 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2001
- Zulmiro de Carvalho desenvolve o seu trabalho nas áreas da escultura e do desenho. Depois de trabalhar inicialmente com metal, nomeadamente o ferro, estende o leque de materiais utilizados à pedra e à madeira. A sua prática artística carateriza-se pelo recurso a sistemas formais modulares, que remetem para o minimalismo, na perspetiva de questionar noções associadas à tradição da escultura. O artista cria esculturas que evidenciam uma essencialidade e um despojamento estruturais, utilizando um vocabulário plástico depurado, caracterizado pela regularidade das linhas, texturas e cor e pelo uso de formas simples e repetitivas.
Sistema H, 1973- Ferro pintado
- 48.5 x 400 x 400 cm
- Col. Museu Nacional de Soares dos Reis, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990
- "Sistema H", uma das primeiras obras de Zulmiro de Carvalho, integra-se no movimento de renovação da escultura portuguesa que, a partir da segunda metade dos anos 1960, se empenhou no questionamento e reformulação da tradição escultórica. A obra patenteia uma notória preocupação com os materiais, o recurso a sistemas modulares, e as noções de serialidade e produção industrial. A figuração e o assunto são substituídos por questões intrínsecas ao ato escultórico sob influência do minimalismo, como o trabalho das formas, a pesquisa sobre a cor e a relação com o espaço e o contexto envolventes. Neste caso, a escultura apodera-se do chão, anulando a necessidade de plinto e constituindo-se como uma presença, com escala antropomórfica, no espaço. Abrindo-se ao que está em seu redor, ao mesmo tempo que delimita um espaço contido, cada um dos três elementos estabelece entre si uma posição relativa que interfere com os respetivos significados formais e integra os vazios existentes de modo a simular um quadrado dentro do quadrado. Zulmiro de Carvalho, que estudou na St Martin’s School of Art com Anthony Caro (1971-73), faz parte de uma geração de artistas que desempenhou um papel fundamental em Portugal na compreensão e no repensar a escultura, emancipando-a da estatuária comemorativa, então o modelo escultórico oficial dominante. No seu lugar, Zulmiro de Carvalho defende a sobriedade de formas e volumes, profundamente marcados pelo rigor do formalismo modernista.
Casimiro, Manuel
Estruturas, 1970- Marcador de feltro sobre papel
- 70 x 50 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Doação do artista em 1997
- Na série "Estruturas" (1968-75) Manuel Casimiro inicia a exploração da forma elíptica que marcará grande parte da sua obra - um elemento neutro, não-significante e sintético que pode gerar múltiplos sentidos. Nestes trabalhos, as pequenas manchas de tinta organizam o espaço pictórico, desenhando composições sequenciais de grande cromatismo, onde o ritmo gráfico de repetição da mancha revela a dinâmica do gesto, entre a organização e a desorganização da composição.
Castro, E. M. de Melo e
Caixa-Objecta, 1961 - 1968- Cartão, cartolina
- 10 x 33 x 33 cm (caixa)
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2002
- Apresentando uma forte componente interativa, proporcionada pela potencial manipulação por parte do espectador, "Caixa-Objeta" é um poema-objeto composto por letras, palavras e imagens que, dando ênfase ao dinamismo e à visualidade da escrita, se afasta da simples perceção visual e convida ao manuseamento, eventualmente até à sua destruição pela índole efémera dos seus materiais.E.M. de Melo e Casto é um vulto incontornável da Poesia Experimental portuguesa e foi um dos iniciadores da vídeopoesia em Portugal. Na sua extensa obra cruzam-se múltiplas práticas e formas experimentais, particularmente marcadas pelas relações entre a palavra e a imagem. Para o artista, trabalhar o verso, a prosa, o signo não-verbal, os meios gráficos convencionais ou os meios tecnológicos, faz tudo parte de um processo total que denomina "poiésis", isto é, a produção do artefacto, do objeto, numa permanente experimentação das possibilidades e limites da obra de arte.
Castro, Lourdes
Letras, 1962- Madeira, pinça cirúrgica, caixa de metal prateada, plástico, tinta acrílica sobre tela
- 50 x 100 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- "Letras" é uma assemblagem, de aparência aleatória, de letras e pequenos objetos que são deslocados ou retirados depois de revestidos a tinta, revelando as fases intermédias do processo. A combinação de três tons diferentes - verde, branco e o acastanhado da tela que serve de suporte -, para além da cor de alumínio, faz sobressair os contornos dos objetos. Anunciando o seu trabalho futuro em torno das sombras, Lourdes Castro torna presente a ausência: furta às letras a sua habitual transparência - elas servem normalmente para construir frases e para ser lidas, mais do que vistas - e atribui-lhes corpo. A apropriação de objetos do quotidiano e a reutilização poética da realidade urbana e publicitária é uma das principais características da arte dos anos 1960 patente nesta obra de Castro. Como outras realizadas pela artista neste período, "Letras" assemelha-se a um "relicário" onde se acumulam objetos de produção industrial tornados obsoletos pelos ciclos de uso cada vez mais curtos e que teriam o lixo como mais provável destino.
Sombras e chocolates (harmónica), 1965- Pratas de chocolates e papel de lustro colados sobre papel
- 32 x 49.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- "Sombras e chocolates" é um conjunto de cerca de setenta colagens coloridas e delicadas. As pratas de chocolates e as aparas de lápis são os restos de atos banais, como a satisfação de prazeres gustativos e o afiar de um lápis. Agregam-se a estes elementos formas pintadas e delineadas a grafite que são as sombras dos pedaços de realidade incluídos nestas colagens. Nelas Lourdes Castro explora o potencial comunicativo dos símbolos da cultura contemporânea e do conforto da classe média, como o Rato Mickey e o Volkswagen Carocha. A inclusão de um excerto de "Tabacaria", de Álvaro de Campos (heterónimo do poeta português Fernando Pessoa), que alude à valorização da vida a partir dos pequenos gestos quotidianos, demonstra que o tom ligeiro e lúdico destas colagens não é, afinal, desprovido de seriedade.Influenciada inicialmente pelo nouveau réalisme na apropriação e recontextualização de objetos de uso quotidiano, a partir da década de 1960 Lourdes Castro centrou a sua prática artística na indagação da sombra, explorando a sua representação visual através dos mais variados materiais e práticas.
Sombras e chocolates (joaninha), 1965- Lápis, pratas de chocolates e papel de lustro colados sobre papel
- 32 x 49.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- "Sombras e chocolates" é um conjunto de cerca de setenta colagens coloridas e delicadas. As pratas de chocolates e as aparas de lápis são os restos de atos banais, como a satisfação de prazeres gustativos e o afiar de um lápis. Agregam-se a estes elementos formas pintadas e delineadas a grafite que são as sombras dos pedaços de realidade incluídos nestas colagens. Nelas Lourdes Castro explora o potencial comunicativo dos símbolos da cultura contemporânea e do conforto da classe média, como o Rato Mickey e o Volkswagen Carocha. A inclusão de um excerto de "Tabacaria", de Álvaro de Campos (heterónimo do poeta português Fernando Pessoa), que alude à valorização da vida a partir dos pequenos gestos quotidianos, demonstra que o tom ligeiro e lúdico destas colagens não é, afinal, desprovido de seriedade.Influenciada inicialmente pelo nouveau réalisme na apropriação e recontextualização de objetos de uso quotidiano, a partir da década de 1960 Lourdes Castro centrou a sua prática artística na indagação da sombra, explorando a sua representação visual através dos mais variados materiais e práticas.
Sombras e chocolates (lápis), 1965- Pratas de chocolates, papel de lustro e apara de lápis colados sobre papel
- 32 x 49.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- "Sombras e chocolates" é um conjunto de cerca de setenta colagens coloridas e delicadas. As pratas de chocolates e as aparas de lápis são os restos de atos banais, como a satisfação de prazeres gustativos e o afiar de um lápis. Agregam-se a estes elementos formas pintadas e delineadas a grafite que são as sombras dos pedaços de realidade incluídos nestas colagens. Nelas Lourdes Castro explora o potencial comunicativo dos símbolos da cultura contemporânea e do conforto da classe média, como o Rato Mickey e o Volkswagen Carocha. A inclusão de um excerto de "Tabacaria", de Álvaro de Campos (heterónimo do poeta português Fernando Pessoa), que alude à valorização da vida a partir dos pequenos gestos quotidianos, demonstra que o tom ligeiro e lúdico destas colagens não é, afinal, desprovido de seriedade.Influenciada inicialmente pelo nouveau réalisme na apropriação e recontextualização de objetos de uso quotidiano, a partir da década de 1960 Lourdes Castro centrou a sua prática artística na indagação da sombra, explorando a sua representação visual através dos mais variados materiais e práticas.
Sombras e chocolates (carrinhos), 1965- Pratas de chocolates e recorte de revista colados sobre papel
- 32 x 49.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- "Sombras e chocolates" é um conjunto de cerca de setenta colagens coloridas e delicadas. As pratas de chocolates e as aparas de lápis são os restos de atos banais, como a satisfação de prazeres gustativos e o afiar de um lápis. Agregam-se a estes elementos formas pintadas e delineadas a grafite que são as sombras dos pedaços de realidade incluídos nestas colagens. Nelas Lourdes Castro explora o potencial comunicativo dos símbolos da cultura contemporânea e do conforto da classe média, como o Rato Mickey e o Volkswagen Carocha. A inclusão de um excerto de "Tabacaria", de Álvaro de Campos (heterónimo do poeta português Fernando Pessoa), que alude à valorização da vida a partir dos pequenos gestos quotidianos, demonstra que o tom ligeiro e lúdico destas colagens não é, afinal, desprovido de seriedade.Influenciada inicialmente pelo nouveau réalisme na apropriação e recontextualização de objetos de uso quotidiano, a partir da década de 1960 Lourdes Castro centrou a sua prática artística na indagação da sombra, explorando a sua representação visual através dos mais variados materiais e práticas.
Sombras e chocolates (galo), 1965- Pratas de chocolates e papel de lustro colados sobre papel
- 32 x 49.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- "Sombras e chocolates" é um conjunto de cerca de setenta colagens coloridas e delicadas. As pratas de chocolates e as aparas de lápis são os restos de atos banais, como a satisfação de prazeres gustativos e o afiar de um lápis. Agregam-se a estes elementos formas pintadas e delineadas a grafite que são as sombras dos pedaços de realidade incluídos nestas colagens. Nelas Lourdes Castro explora o potencial comunicativo dos símbolos da cultura contemporânea e do conforto da classe média, como o Rato Mickey e o Volkswagen Carocha. A inclusão de um excerto de "Tabacaria", de Álvaro de Campos (heterónimo do poeta português Fernando Pessoa), que alude à valorização da vida a partir dos pequenos gestos quotidianos, demonstra que o tom ligeiro e lúdico destas colagens não é, afinal, desprovido de seriedade.Influenciada inicialmente pelo nouveau réalisme na apropriação e recontextualização de objetos de uso quotidiano, a partir da década de 1960 Lourdes Castro centrou a sua prática artística na indagação da sombra, explorando a sua representação visual através dos mais variados materiais e práticas.
Sombras e chocolates (vassourinha), 1965- Pratas de chocolates e papel de lustro colados sobre papel
- 32 x 49.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- "Sombras e chocolates" é um conjunto de cerca de setenta colagens coloridas e delicadas. As pratas de chocolates e as aparas de lápis são os restos de atos banais, como a satisfação de prazeres gustativos e o afiar de um lápis. Agregam-se a estes elementos formas pintadas e delineadas a grafite que são as sombras dos pedaços de realidade incluídos nestas colagens. Nelas Lourdes Castro explora o potencial comunicativo dos símbolos da cultura contemporânea e do conforto da classe média, como o Rato Mickey e o Volkswagen Carocha. A inclusão de um excerto de "Tabacaria", de Álvaro de Campos (heterónimo do poeta português Fernando Pessoa), que alude à valorização da vida a partir dos pequenos gestos quotidianos, demonstra que o tom ligeiro e lúdico destas colagens não é, afinal, desprovido de seriedade.Influenciada inicialmente pelo nouveau réalisme na apropriação e recontextualização de objetos de uso quotidiano, a partir da década de 1960 Lourdes Castro centrou a sua prática artística na indagação da sombra, explorando a sua representação visual através dos mais variados materiais e práticas.
Sombras e chocolates (Mickey), 1966- Pratas de chocolates e papel de lustro colados sobre papel
- 32 x 49.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- "Sombras e chocolates" é um conjunto de cerca de setenta colagens coloridas e delicadas. As pratas de chocolates e as aparas de lápis são os restos de atos banais, como a satisfação de prazeres gustativos e o afiar de um lápis. Agregam-se a estes elementos formas pintadas e delineadas a grafite que são as sombras dos pedaços de realidade incluídos nestas colagens. Nelas Lourdes Castro explora o potencial comunicativo dos símbolos da cultura contemporânea e do conforto da classe média, como o Rato Mickey e o Volkswagen Carocha. A inclusão de um excerto de "Tabacaria", de Álvaro de Campos (heterónimo do poeta português Fernando Pessoa), que alude à valorização da vida a partir dos pequenos gestos quotidianos, demonstra que o tom ligeiro e lúdico destas colagens não é, afinal, desprovido de seriedade.Influenciada inicialmente pelo nouveau réalisme na apropriação e recontextualização de objetos de uso quotidiano, a partir da década de 1960 Lourdes Castro centrou a sua prática artística na indagação da sombra, explorando a sua representação visual através dos mais variados materiais e práticas.
Sombra sentada, 1969- Tecido bordado à mão
- 310 x 180 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1999
- Na Madeira, durante o verão de 1968, Lourdes Castro realiza as suas primeiras sombras deitadas. Depois de ter resolvido a questão da representação formal da sombra pelo recurso ao acrílico, a artista estabelece uma nova ligação entre a arte e o quotidiano, já não apenas na representação das sombras de pessoas amigas, mas agora através de lençóis onde borda à mão o contorno da sombra de pessoas deitadas ou sentadas. Isto permite-lhe explorar a sombra projetada horizontalmente de uma forma mais íntima. Os lençóis com sombras projetadas são por vezes apresentados em camas desfeitas, onde os contornos das silhuetas de corpos ausentes os "presentificam" enquanto memória de um momento efémero. No entanto, podem também ser apresentados verticalmente: "Pondo um lençol na parede as sombras dir-se-ia que voam."Lourdes Castro usa a sombra como modo de reinterpretar e rematerializar objetos, experimentando uma variedade de suportes, materiais e processos na sua pesquisa em torno da representação visual da sombra. Depois da impressão serigráfica, passa para o uso da tela, onde projeta silhuetas de amigos, descobrindo o contorno enquanto elemento essencial da efémera presença de uma figura. Da desmaterialização do objeto, a artista passa à desmaterialização da sua sombra, numa série de pinturas onde apenas os contornos se tornam visíveis. Centrando-se na sombra enquanto horizonte de perceção e interrogação da realidade, a sua investigação encontra-se também implicitamente ligada a uma reflexão sobre o tempo e a memória.
Os Lusíadas, 1971- Livro em Plexiglass com letras bordadas em fio plástico
- 15 x 40 x 2.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- Nos seus livros bordados Lourdes Castro aproxima-se de uma ideia possível de sombra ao bordar sucessivamente a imagem revertida da palavra inicial; cada página é a transformação da antecedente, estilhaçando a função didática do livro. Neste caso específico, é ainda introduzido um potencial significado político pela desconstrução do título do poema épico de Camões, símbolo da identidade nacional durante o período da ditadura.Influenciada inicialmente pelo nouveau réalisme na apropriação e recontextualização de objetos de uso quotidiano, a partir da década de 1960 Lourdes Castro centrou a sua prática artística na indagação da sombra, explorando a sua representação visual através dos mais variados materiais e práticas.
Sombras e chocolates (moedas), 1974- Lápis de cor, pratas de chocolates e papel de lustro colados sobre papel
- 32 x 49.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- "Sombras e chocolates" é um conjunto de cerca de setenta colagens coloridas e delicadas. As pratas de chocolates e as aparas de lápis são os restos de atos banais, como a satisfação de prazeres gustativos e o afiar de um lápis. Agregam-se a estes elementos formas pintadas e delineadas a grafite que são as sombras dos pedaços de realidade incluídos nestas colagens. Nelas Lourdes Castro explora o potencial comunicativo dos símbolos da cultura contemporânea e do conforto da classe média, como o Rato Mickey e o Volkswagen Carocha. A inclusão de um excerto de "Tabacaria", de Álvaro de Campos (heterónimo do poeta português Fernando Pessoa), que alude à valorização da vida a partir dos pequenos gestos quotidianos, demonstra que o tom ligeiro e lúdico destas colagens não é, afinal, desprovido de seriedade.Influenciada inicialmente pelo nouveau réalisme na apropriação e recontextualização de objetos de uso quotidiano, a partir da década de 1960 Lourdes Castro centrou a sua prática artística na indagação da sombra, explorando a sua representação visual através dos mais variados materiais e práticas.
Sombras e chocolates (letras em 'chocolat aux noisettes'), 1972 - 1974- Papel recortado montado sobre papel
- 32 x 49.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- "Sombras e chocolates" é um conjunto de cerca de setenta colagens coloridas e delicadas. As pratas de chocolates e as aparas de lápis são os restos de atos banais, como a satisfação de prazeres gustativos e o afiar de um lápis. Agregam-se a estes elementos formas pintadas e delineadas a grafite que são as sombras dos pedaços de realidade incluídos nestas colagens. Nelas Lourdes Castro explora o potencial comunicativo dos símbolos da cultura contemporânea e do conforto da classe média, como o Rato Mickey e o Volkswagen Carocha. A inclusão de um excerto de "Tabacaria", de Álvaro de Campos (heterónimo do poeta português Fernando Pessoa), que alude à valorização da vida a partir dos pequenos gestos quotidianos, demonstra que o tom ligeiro e lúdico destas colagens não é, afinal, desprovido de seriedade.Influenciada inicialmente pelo nouveau réalisme na apropriação e recontextualização de objetos de uso quotidiano, a partir da década de 1960 Lourdes Castro centrou a sua prática artística na indagação da sombra, explorando a sua representação visual através dos mais variados materiais e práticas.
Sombras e chocolates (carrinho), 1972 - 1974- Pratas de chocolates, papel de lustro e papel impresso colados sobre papel
- 32 x 49.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- "Sombras e chocolates" é um conjunto de cerca de setenta colagens coloridas e delicadas. As pratas de chocolates e as aparas de lápis são os restos de atos banais, como a satisfação de prazeres gustativos e o afiar de um lápis. Agregam-se a estes elementos formas pintadas e delineadas a grafite que são as sombras dos pedaços de realidade incluídos nestas colagens. Nelas Lourdes Castro explora o potencial comunicativo dos símbolos da cultura contemporânea e do conforto da classe média, como o Rato Mickey e o Volkswagen Carocha. A inclusão de um excerto de "Tabacaria", de Álvaro de Campos (heterónimo do poeta português Fernando Pessoa), que alude à valorização da vida a partir dos pequenos gestos quotidianos, demonstra que o tom ligeiro e lúdico destas colagens não é, afinal, desprovido de seriedade.Influenciada inicialmente pelo nouveau réalisme na apropriação e recontextualização de objetos de uso quotidiano, a partir da década de 1960 Lourdes Castro centrou a sua prática artística na indagação da sombra, explorando a sua representação visual através dos mais variados materiais e práticas.
Sombras e chocolates (castanhas), 1976- Pratas de chocolates e papel de lustro colados sobre papel
- 32 x 49.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- "Sombras e chocolates" é um conjunto de cerca de setenta colagens coloridas e delicadas. As pratas de chocolates e as aparas de lápis são os restos de atos banais, como a satisfação de prazeres gustativos e o afiar de um lápis. Agregam-se a estes elementos formas pintadas e delineadas a grafite que são as sombras dos pedaços de realidade incluídos nestas colagens. Nelas Lourdes Castro explora o potencial comunicativo dos símbolos da cultura contemporânea e do conforto da classe média, como o Rato Mickey e o Volkswagen Carocha. A inclusão de um excerto de "Tabacaria", de Álvaro de Campos (heterónimo do poeta português Fernando Pessoa), que alude à valorização da vida a partir dos pequenos gestos quotidianos, demonstra que o tom ligeiro e lúdico destas colagens não é, afinal, desprovido de seriedade.Influenciada inicialmente pelo nouveau réalisme na apropriação e recontextualização de objetos de uso quotidiano, a partir da década de 1960 Lourdes Castro centrou a sua prática artística na indagação da sombra, explorando a sua representação visual através dos mais variados materiais e práticas.
Sombras à volta de um centro (Lilases II), 1980- Lápis de cera sobre papelMoldura desenhada por Manuel Zimbro
- 50 x 66 cm
- Col. LC, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2003
- Neste conjunto de desenhos, Lourdes Castro dedica-se a fixar, através de lápis de cor, os contornos de várias espécies vegetais do seu jardim. A artista limitou-se a compor jarras de flores, colocá-las sobre o papel e sobre este desenhar os contornos da jarra e da sombra das flores nele projetadas. Estas jarras são sempre diferentes, já que as flores, sendo tão diversas, pedem contentores diferentes, que podem ser um tubo de ensaio, um frasco, um tinteiro. O centro a que o título alude não é mais do que o fundo dessas "jarras". O conjunto dos desenhos (45, todos na Coleção de Serralves) funciona como uma espécie de catálogo da riqueza botânica da ilha da Madeira, de onde a artista é natural e onde atualmente vive e trabalha, depois de temporadas passadas em Munique e Paris.Lourdes Castro é uma das mais singulares artistas portuguesas das últimas cinco décadas. A sua prática artística, inicialmente centrada no potencial poético dos objetos industriais, sobre os quais a artista intervinha, veio mais tarde a concentrar-se na produção e representação de sombras, primeiro, ainda nos anos 1960, das pessoas que a rodeavam e, mais tarde, de objetos, nomeadamente plantas e flores.
Sombras à volta de um centro (Geranium Robert), 1984- Tinta-da-china e lápis de cor sobre papelMoldura desenhada por Manuel Zimbro
- 38.5 x 57 cm
- Col. LC, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2003
- Neste conjunto de desenhos, Lourdes Castro dedica-se a fixar, através de lápis de cor, os contornos de várias espécies vegetais do seu jardim. A artista limitou-se a compor jarras de flores, colocá-las sobre o papel e sobre este desenhar os contornos da jarra e da sombra das flores nele projetadas. Estas jarras são sempre diferentes, já que as flores, sendo tão diversas, pedem contentores diferentes, que podem ser um tubo de ensaio, um frasco, um tinteiro. O centro a que o título alude não é mais do que o fundo dessas "jarras". O conjunto dos desenhos (45, todos na Coleção de Serralves) funciona como uma espécie de catálogo da riqueza botânica da ilha da Madeira, de onde a artista é natural e onde atualmente vive e trabalha, depois de temporadas passadas em Munique e Paris.Lourdes Castro é uma das mais singulares artistas portuguesas das últimas cinco décadas. A sua prática artística, inicialmente centrada no potencial poético dos objetos industriais, sobre os quais a artista intervinha, veio mais tarde a concentrar-se na produção e representação de sombras, primeiro, ainda nos anos 1960, das pessoas que a rodeavam e, mais tarde, de objetos, nomeadamente plantas e flores.
Sombras à volta de um centro (Miosótis), 1984- Lápis sobre papelMoldura desenhada por Manuel Zimbro
- 37.5 x 55 cm
- Col. LC, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2003
- Neste conjunto de desenhos, Lourdes Castro dedica-se a fixar, através de lápis de cor, os contornos de várias espécies vegetais do seu jardim. A artista limitou-se a compor jarras de flores, colocá-las sobre o papel e sobre este desenhar os contornos da jarra e da sombra das flores nele projetadas. Estas jarras são sempre diferentes, já que as flores, sendo tão diversas, pedem contentores diferentes, que podem ser um tubo de ensaio, um frasco, um tinteiro. O centro a que o título alude não é mais do que o fundo dessas "jarras". O conjunto dos desenhos (45, todos na Coleção de Serralves) funciona como uma espécie de catálogo da riqueza botânica da ilha da Madeira, de onde a artista é natural e onde atualmente vive e trabalha, depois de temporadas passadas em Munique e Paris.Lourdes Castro é uma das mais singulares artistas portuguesas das últimas cinco décadas. A sua prática artística, inicialmente centrada no potencial poético dos objetos industriais, sobre os quais a artista intervinha, veio mais tarde a concentrar-se na produção e representação de sombras, primeiro, ainda nos anos 1960, das pessoas que a rodeavam e, mais tarde, de objetos, nomeadamente plantas e flores.
Sombras e chocolates (Fragmento de "Tabacaria" de Fernando Pessoa), s.d.- Letras decalcadas sobre papel
- 32 x 49.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- "Sombras e chocolates" é um conjunto de cerca de setenta colagens coloridas e delicadas. As pratas de chocolates e as aparas de lápis são os restos de atos banais, como a satisfação de prazeres gustativos e o afiar de um lápis. Agregam-se a estes elementos formas pintadas e delineadas a grafite que são as sombras dos pedaços de realidade incluídos nestas colagens. Nelas Lourdes Castro explora o potencial comunicativo dos símbolos da cultura contemporânea e do conforto da classe média, como o Rato Mickey e o Volkswagen Carocha. A inclusão de um excerto de "Tabacaria", de Álvaro de Campos (heterónimo do poeta português Fernando Pessoa), que alude à valorização da vida a partir dos pequenos gestos quotidianos, demonstra que o tom ligeiro e lúdico destas colagens não é, afinal, desprovido de seriedade.Influenciada inicialmente pelo nouveau réalisme na apropriação e recontextualização de objetos de uso quotidiano, a partir da década de 1960 Lourdes Castro centrou a sua prática artística na indagação da sombra, explorando a sua representação visual através dos mais variados materiais e práticas.
Cepeda, André
André Cepeda (Coimbra, Portugal, 1976)Bairro de São Victor, Porto, 2014- Impressão a jato de tinta (6 elementos). Ed. 1/1
- 44 x 54 cm (cada)
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2015
- As séries fotográficas de André Cepeda (Coimbra, 1976) resultam de uma encomenda efetuada no âmbito da exposição "Processo SAAL: Arquitetura e Participação 1974-76", apresentada no Museu de Arte Contemporânea de Serralves em 2014. O Serviço Ambulatório de Apoio Local (SAAL) desenvolveu no período pós-revolucionário português projetos de habitação social que se fundamentavam na participação ativa das comunidades para as quais eram construídos. Cepeda fotografou o estado atual de dois bairros: São Victor, de autoria de Álvaro Siza Vieira e Antas, do Arq. Pedro Ramalho. Cepeda afastou-se da apresentação de fotografias que dessem a ver os conjuntos arquitetónicos como um todo. Em vez disso, mostra-nos a forma como os seus habitantes, ao longo do tempo, personalizaram as suas casas com diferentes portas e janelas ou simples arranjos de plantas.
André Cepeda (Coimbra, Portugal, 1976)Bairro das Antas, Porto, 2014- Impressão a jato de tinta (7 elementos). Ed. 1/1
- 44 x 54 cm (cada)
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2015
- As séries fotográficas de André Cepeda (Coimbra, 1976) resultam de uma encomenda efetuada no âmbito da exposição "Processo SAAL: Arquitetura e Participação 1974-76", apresentada no Museu de Arte Contemporânea de Serralves em 2014. O Serviço Ambulatório de Apoio Local (SAAL) desenvolveu no período pós-revolucionário português projetos de habitação social que se fundamentavam na participação ativa das comunidades para as quais eram construídos. Cepeda fotografou o estado atual de dois bairros: São Victor, de autoria de Álvaro Siza Vieira e Antas, do Arq. Pedro Ramalho. Cepeda afastou-se da apresentação de fotografias que dessem a ver os conjuntos arquitetónicos como um todo. Em vez disso, mostra-nos a forma como os seus habitantes, ao longo do tempo, personalizaram as suas casas com diferentes portas e janelas ou simples arranjos de plantas.
Cerqueira, Mauro
Porto Morto, 2010- Vídeo, cor, som, pal, loop, 18’25’’. Ed. 1/3 + 1 P.A.
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2011
- A literatura, o quotidiano e a transformação do espaço e comunidades urbanas são alguns dos elementos presentes na obra de Mauro Cerqueira. "Porto Morto" é um vídeo que procura refletir sobre a Baixa do Porto, esvaziada de pessoas, com alguns resistentes e onde o artista habita e trabalha. "Porto Morto" mostra-nos o edifício onde Cerqueira tinha o seu ateliê, juntamente com outros artistas, antes de ser demolido. Figura central desta obra é o registo performativo de um skater no espaço interior do edifício. Imagens do skater em ação alternam com imagens de ruína, de detalhes decorativos, de objetos variados, de despojos, de destruição e do fosso colossal das novas construções. A prática do skate implica quase sempre uma recusa da autoridade e da convenção. A cidade não é só um sítio para trabalhar, para consumir, mas pode ser um local de prazer, onde o corpo humano pode exprimir as suas emoções e energias. Deliberadamente sem virtuosismos técnicos, esta obra é um ensaio cru sobre sobre um espaço que se perde e um futuro incerto.
Twins, 2014- Gémeos, 2014
- Vasos em metal
- 143 x 60 x 60 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2014
- Como um recoletor do descartado, do irrisório, Mauro Cerqueira reúne no seu ateliê objetos considerados obsoletos e que já não cumprem a sua função (ou cuja função deixou de ser considerada pertinente, atual). Esta crítica à ideia de progresso materializa-se frequentemente em autênticos monumentos ao precário. "Twins" [Gémeos] (2014) é um exemplo do seu uso de gestos banais: o simples ato de empilhar dois antigos recipientes para o lixo dá origem a uma coluna em que formas simples evocam a escultura abstrata, nomeadamente as obras de Brancusi.Note-se que o título da obra se refere simultaneamente à ideia de duplicação e ao nome do local em que o artista recuperou os recipientes: a mítica discoteca Twins, conhecida de todos os noctívagos da cidade do Porto, que nos anos 1980 a elegeram como uma das suas pistas de dança preferidas. Como é hábito no seu trabalho, Cerqueira sublinha as alterações da cidade, da precariedade à gentrificação: depois de ter sido discoteca, a Twins já foi bar de strip e restaurante.
Transmissão por tinto, 2014- Rádio de automóvel, vinho tinto sobre mármore
- 10 x 100 x 100 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2014
- Mauro Cerqueira (Guimarães, 1982) reúne em "Transmissão por tinto" (2014) um antigo rádio de um automóvel e uma placa de mármore manchada com vinho. Apesar do caráter humilde e precário da composição, enfatizado pela sua colocação diretamente no chão, a obra funciona como um monumento a um mundo em vias de desaparecimento: as pequenas tabernas da parte velha do Porto (onde as bancadas de mármore são correntes) e os seus clientes, que vão desaparecendo da cidade. Cerqueira produz composições recorrendo a resíduos encontrados que reorganiza em novas configurações, desrespeitando forma e função originais. Reatualizando a noção de readymade, o artista utiliza, praticamente sem os alterar, objetos e materiais que guardam uma relação estreita com o contexto histórico e urbano em que tem vindo a desenvolver o seu trabalho: o centro histórico do Porto.
Chafes, Rui
Rui Chafes (Lisboa, Portugal, 1966)Penumbra II, 1990- Ferro pintado, poliéster
- 50.5 x 89 x 170 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1993
- A série "Penumbra" é constituída por quatro esculturas em ferro, pintadas, segundo o artista, num tom de carne em decomposição muito próximo do utilizado nas pinturas do surrealista português António Dacosta. Duas das esculturas integram dois pequenos depósitos com poliéster, um branco e outro castanho claro: uma referência literária a Novalis e à sua descrição da humanidade a dormir entre dois rios, um de leite e outro de mel. As estruturas pintadas e as formas rígidas do trabalho, sugerindo uma certa violência, pretendem expressar ideias de agressividade que sublinham a noção de insegurança e a fragilidade de estar no mundo. Desde 1989 que Rui Chafes cria objetos que constrangem e aprisionam o corpo, sempre evocado e sempre ausente na sua obra. A literatura e a arte germânicas, nomeadamente o gótico e o Romantismo - muito particularmente a escultura medieval de Tilman Riemenschneider, a poesia de Novalis e Hölderlin, ou a pintura de Philipp Otto Runge - são constantes referências para Chafes. O artista trabalha e molda ele próprio o ferro, através de processos mecânicos e nunca recorre à fundição, um método que não permite o mesmo controlo sobre o resultado final. Depois de moldadas, as esculturas levam um acabamento de metalização a quente e são geralmente pintadas de preto ou cinzento, escondendo a materialidade do ferro, mascarada pela tinta. O escultor refere frequentemente que não está interessado nos objetos em si mesmos e que procura formas depuradas que funcionem como carateres de escrita. Os títulos das obras, muitas vezes coincidentes com os títulos das suas exposições e publicações, remetem para um universo pessoal, sublime e lírico, e nunca ilustram nem pretendem dar informação adicional para a leitura da obra.
Rui Chafes (Lisboa, Portugal, 1966)Penumbra III, 1990- Ferro pintado
- 41 x 70 x 185 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1993
- A série "Penumbra" é constituída por quatro esculturas em ferro, pintadas, segundo o artista, num tom de carne em decomposição muito próximo do utilizado nas pinturas do surrealista português António Dacosta. Duas das esculturas integram dois pequenos depósitos com poliéster, um branco e outro castanho claro: uma referência literária a Novalis e à sua descrição da humanidade a dormir entre dois rios, um de leite e outro de mel. As estruturas pintadas e as formas rígidas do trabalho, sugerindo uma certa violência, pretendem expressar ideias de agressividade que sublinham a noção de insegurança e a fragilidade de estar no mundo. Desde 1989 que Rui Chafes cria objetos que constrangem e aprisionam o corpo, sempre evocado e sempre ausente na sua obra. A literatura e a arte germânicas, nomeadamente o gótico e o Romantismo - muito particularmente a escultura medieval de Tilman Riemenschneider, a poesia de Novalis e Hölderlin, ou a pintura de Philipp Otto Runge - são constantes referências para Chafes. O artista trabalha e molda ele próprio o ferro, através de processos mecânicos e nunca recorre à fundição, um método que não permite o mesmo controlo sobre o resultado final. Depois de moldadas, as esculturas levam um acabamento de metalização a quente e são geralmente pintadas de preto ou cinzento, escondendo a materialidade do ferro, mascarada pela tinta. O escultor refere frequentemente que não está interessado nos objetos em si mesmos e que procura formas depuradas que funcionem como carateres de escrita. Os títulos das obras, muitas vezes coincidentes com os títulos das suas exposições e publicações, remetem para um universo pessoal, sublime e lírico, e nunca ilustram nem pretendem dar informação adicional para a leitura da obra.
Rui Chafes (Lisboa, Portugal, 1966)Penumbra I, 1990- Ferro pintado
- 55 x 163 x 60 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1993
- A série "Penumbra" é constituída por quatro esculturas em ferro, pintadas, segundo o artista, num tom de carne em decomposição muito próximo do utilizado nas pinturas do surrealista português António Dacosta. Duas das esculturas integram dois pequenos depósitos com poliéster, um branco e outro castanho claro: uma referência literária a Novalis e à sua descrição da humanidade a dormir entre dois rios, um de leite e outro de mel. As estruturas pintadas e as formas rígidas do trabalho, sugerindo uma certa violência, pretendem expressar ideias de agressividade que sublinham a noção de insegurança e a fragilidade de estar no mundo. Desde 1989 que Rui Chafes cria objetos que constrangem e aprisionam o corpo, sempre evocado e sempre ausente na sua obra. A literatura e a arte germânicas, nomeadamente o gótico e o Romantismo - muito particularmente a escultura medieval de Tilman Riemenschneider, a poesia de Novalis e Hölderlin, ou a pintura de Philipp Otto Runge - são constantes referências para Chafes. O artista trabalha e molda ele próprio o ferro, através de processos mecânicos e nunca recorre à fundição, um método que não permite o mesmo controlo sobre o resultado final. Depois de moldadas, as esculturas levam um acabamento de metalização a quente e são geralmente pintadas de preto ou cinzento, escondendo a materialidade do ferro, mascarada pela tinta. O escultor refere frequentemente que não está interessado nos objetos em si mesmos e que procura formas depuradas que funcionem como carateres de escrita. Os títulos das obras, muitas vezes coincidentes com os títulos das suas exposições e publicações, remetem para um universo pessoal, sublime e lírico, e nunca ilustram nem pretendem dar informação adicional para a leitura da obra.
Rui Chafes (Lisboa, Portugal, 1966)Penumbra IV, 1990- Ferro pintado, poliéster
- 56 x 114 x 109 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1993
- A série "Penumbra" é constituída por quatro esculturas em ferro, pintadas, segundo o artista, num tom de carne em decomposição muito próximo do utilizado nas pinturas do surrealista português António Dacosta. Duas das esculturas integram dois pequenos depósitos com poliéster, um branco e outro castanho claro: uma referência literária a Novalis e à sua descrição da humanidade a dormir entre dois rios, um de leite e outro de mel. As estruturas pintadas e as formas rígidas do trabalho, sugerindo uma certa violência, pretendem expressar ideias de agressividade que sublinham a noção de insegurança e a fragilidade de estar no mundo. Desde 1989 que Rui Chafes cria objetos que constrangem e aprisionam o corpo, sempre evocado e sempre ausente na sua obra. A literatura e a arte germânicas, nomeadamente o gótico e o Romantismo - muito particularmente a escultura medieval de Tilman Riemenschneider, a poesia de Novalis e Hölderlin, ou a pintura de Philipp Otto Runge - são constantes referências para Chafes. O artista trabalha e molda ele próprio o ferro, através de processos mecânicos e nunca recorre à fundição, um método que não permite o mesmo controlo sobre o resultado final. Depois de moldadas, as esculturas levam um acabamento de metalização a quente e são geralmente pintadas de preto ou cinzento, escondendo a materialidade do ferro, mascarada pela tinta. O escultor refere frequentemente que não está interessado nos objetos em si mesmos e que procura formas depuradas que funcionem como carateres de escrita. Os títulos das obras, muitas vezes coincidentes com os títulos das suas exposições e publicações, remetem para um universo pessoal, sublime e lírico, e nunca ilustram nem pretendem dar informação adicional para a leitura da obra.
Cointet, Guy de
Guy de Cointet (Paris, França, 1934 - Los Angeles, EUA, 1983)Grey peak of wave, wave, 1976- Tinta e lápis sobre papel
- 65 x 102 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2013
- Explorando o valor da palavra enquanto forma,"Grey Peak of Wave, Wave" desestabiliza a relação visual entre linguagem e significado. Esta é uma característica central da obra de Guy de Cointet - em que caligrafia e tipografia produzem geralmente formas visuais legíveis - implementada recorrendo a sistemas de codificação ou abstração do texto, reconhecíveis quer na sua escrita e desenho, quer nos seus objetos cénicos, verdadeiros quadros vivos próximos do teatro e da poesia visual.Numa ampla produção de desenhos, peças teatrais e produção literária, a obra de Guy de Cointet radica num fascínio pela linguagem e pelo seu uso nos contextos da cultura popular, literária ou quotidiana. O artista explorou recorrentemente diferentes procedimentos de abstração da linguagem a partir do cruzamento entre texto, forma e cor, gerando uma infinidade de sentidos conceptualmente lúdicos, familiares, absurdos e enigmáticos, construídos através de códigos e tensões óticas entre linguagem e imagem.
Costa, Luís Noronha da
Luís Noronha da Costa (Lisboa, Portugal, 1942 - Lisboa, Portugal, 2020)Sem título, 1968- Madeira, vidro espelhado, tinta acrílica
- 12.5 x 25 x 9.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Doação de Nuno Noronha da Costa em 2004
- Os objetos, pinturas e filmes de Noronha da Costa refletem uma investigação aturada sobre as relações entre a realidade e o espaço da representação, entre imagem real e imagem projetada. Esta obra pertence a uma série de objetos produzidos pelo artista desde meados dos anos 1960 e que constituem o corpo inicial das suas pesquisas em torno da natureza da perceção humana e da nossa relação visual com a natureza. Através da aplicação de tinta sobre vidro espelhado, o artista confere uma aparente imaterialidade à massa e ao volume dos elementos de madeira, transformando a escultura numa paisagem.
Luís Noronha da Costa (Lisboa, Portugal, 1942 - Lisboa, Portugal, 2020)Sem título, 1972- Tinta acrílica sobre tela
- 200 x 160 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2000
- Esta obra de Noronha da Costa situa-se entre a pintura de paisagem e a pintura de arquitetura. Num estilo propositadamente impessoal e preciso, o artista mostra-nos uma situação implausível em que imaculadas paredes brancas (vistas através de um filtro esverdeante evocador da passagem do tempo) parecem replicar as das galerias de um museu. A ausência de teto, que torna visível a paisagem "lá fora", instaura a indistinção entre exterior e interior, através da qual a natureza esgueira-se no museu.
Croft, José Pedro
Sem título, 1985- Calcário
- 200 x 28.3 x 28 cm
- Col. Secretaria de Estado da Cultura, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990
- "Sem título" é uma alusão à tradição funerária e ao caráter evocativo da escultura. José Pedro Croft escavou, num paralelepípedo maciço de calcário, um espaço interior de onde emerge a sugestão de uma figura humana que nos aparece como não terminada ou, pelo contrário, em estado avançado de erosão. O aspeto informe da pedra esculpida, a sua vaga semelhança com uma estátua em ruínas e a associação de todo o conjunto a um túmulo vertical ou a uma coluna convocam uma série de referentes antropológicos ligados a ritos elegíacos de rememoração que a arte do século XX, com a sua tendência anti-narrativa e anti-histórica, colocou em causa. Mais do que referir-se à morte, ao tempo e à memória, "Sem título" dirige-se às formas visuais e materiais pelas quais o ser humano, no decurso da história, procurou representar os seres e as coisas desaparecidas.
Sem título, 1990- Bronze pintado
- 155 x 165 x 90 cm
- Col. Secretaria de Estado da Cultura, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990
- José Pedro Croft usa uma técnica tradicional da escultura, a modelação em gesso e posterior passagem a bronze, para realizar uma obra que alude ao espaço doméstico e às experiências do quotidiano. Neste caso, um segmento de cone evoca um alguidar. As formas da obra, bem como a pintura branca que reveste o bronze, estabelecem uma ponte entre a simplicidade dos objetos domésticos e a grandiloquência dos sólidos geométricos, que torna impossível o uso dos objetos devido ao seu peso. Recorrendo à figuração, a elementos formais da escultura fúnebre e a tipologias arquitetónicas como a coluna e o pórtico, Croft explora noções de ruína e de fragmento que revelam a sua desconfiança na lógica do monumento e no caráter normativo e narrativo da escultura tradicional. Nos últimos anos, a escultura de José Pedro Croft tem vindo a deslocar-se de uma tónica no objeto para a atenção à relação das suas peças com a arquitetura e à sua receção por parte do espectador. As suas esculturas mais recentes propõem experiências percetivas complexas, fruto de uma premeditada desestabilização do espaço, alcançada, em grande medida, graças à utilização de espelhos e a jogos com as escalas e os pesos dos vários objetos que as compõem.
Sem título, 1997- Madeira, vidro, ferro galvanizado
- 102 x 202 x 218 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1999
- Desde a década de 1980, José Pedro Croft tem sido um dos escultores contemporâneos que mais se tem debruçado criticamente sobre a ideia de monumentalidade, sobre a tradição da estatuária e sobre a relação da arquitetura com a escultura. Esta obra de 1997 relaciona-se sobretudo com o que pode ser descrito como uma poética do doméstico em situações ativas de desequilíbrio. O uso de materiais como o gesso ou o vidro, em contraste com o material dos objetos do quotidiano, como uma mesa ou um banco, estimula uma resposta física e evocativa que vai para além do visual. O espaço é esculpido, moldado, configurado, definido em torno de algo preexistente.
Sem título, 1997- Gesso, madeira
- 252 x 60 x 45 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- O percurso artístico de José Pedro Croft tem vindo a desenvolver-se em torno de um questionamento formal da própria escultura enquanto meio e sobretudo dos vários usos de que esta tem sido alvo ao longo da História. Para tal Croft fez centrais à sua prática artística temas como a ruína, a monumentalidade ou a estatuária funerária, conceitos como tempo e espaço, peso, (des)equilíbrio, presença, divisão espacial, forma, conteúdo e densidade e técnicas como a justaposição de materiais. Esta obra de 1997 é constituída por um volume vertical em gesso assente, em equilíbrio aparentemente periclitante, sobre um banco de madeira de dimensões desproporcionadamente reduzidas. O volume de gesso, formado por duas faces opostas em ângulo reto, duplica o canto do espaço expositivo, numa estratégia comum aos trabalhos de Croft de ativar zonas habitualmente ignoradas do espaço arquitetónico envolvente: cantos, chão e teto. Entre várias outras exposições organizadas pelo Museu de Serralves, a peça integrou a exposição "Serralves 2009: A Coleção".
Sem título, 2010- Ferro, vidro, espelho
- 220 x 140 x 140 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2011
- José Pedro Croft tem vindo a desenvolver desde a década de 1980 um percurso em torno de questões formais da escultura e sobretudo dos vários usos de que este meio tem sido alvo ao longo da história da arte. Centrais à sua prática são temas como: ruína, monumentalidade ou estatuária funerária, mas também conceções como o tempo e o espaço. Muitas das obras recentes de Croft afirmam-se como volumes ou contentores transparentes, definidos pelas arestas de ferro (primeiro perfuradas, mais recentemente lisas e escuras) que seguram espelhos e vidros. Livre de definir o seu campo de visão e portanto de se deixar incluir neste ou não, o espectador tem um papel determinante na reconstrução visual do objeto. Acentuando áreas habitualmente ignoradas, como o chão, os cantos, os rodapés, estas obras confrontam diretamente o espaço onde se encontra através de dispositivos vários: espelhos que refletem o teto; planos de vidro transparente que criam uma ambiguidade em relação ao movimento do espectador; ou simples arestas de metal que definem um novo espaço.
Cunha, Luisa
Luisa Cunha (Lisboa, Portugal, 1949)Words for Gardens, 2006 - 2007- Palavras para jardins, 2006 - 2007
- Auscultadores, leitor de CD, voz gravada (5'42'', loop)
- Dimensões variáveis
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2009
- Em "Words for Gardens", Luísa Cunha cria uma relação entre o espectador e a paisagem através da palavra falada. Os espectadores/ouvintes participam na construção de uma paisagem, como umas tantas linhas numa página, folhas de relva como uma série de pontos distintos num plano. Neste trabalho, o narrador transmite um conjunto de instruções para desenhar uma paisagem. "Podes desenhar relva", constata o narrador, "Começando onde quiseres? Adota uma direção qualquer. Deixa a intensidade do teu gesto esmorecer, deixando atrás de si um curto desvanecimento e uma linha ligeiramente curva. Desenha outro ponto intenso." A linguagem, nota dominante no trabalho de Luísa Cunha, é veiculada, em grande parte das obras, por gravações sonoras em que o espectador se torna um parceiro idealizado. O seu trabalho revela uma consciência de que as coisas do mundo dependem da cumplicidade que com elas possamos estabelecer, construir ou partilhar. Escolas, jardins, estufas, fábricas abandonadas, claustros de igrejas ou bibliotecas são os espaços escolhidos por Luísa Cunha para a apresentação dos seus trabalhos que, embora frequentemente concebidos como site-specific, podem ser reinstalados noutros locais, adquirindo assim diferentes camadas de teor emocional ou cognitivo.
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