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Dean, Tacita
Tacita Dean (Canterbury, Kent, Reino Unido, 1965)Bubble House, 1999- Casa-bolha, 1999
- Filme 16 mm, cor, som óptico, 7'. Ed. 4/4
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2006
- Os filmes de Tacita Dean são concebidos como parte de uma instalação que engloba os seus próprios instrumentos de projeção. Neste sentido, poderiam ser chamados "filmes-escultura". Embora o seu trabalho também inclua fotografia, desenho, som e instalação, o filme 16 mm é central na sua obra."Bubble House"[Casa-bolha] é o nome dado pelos habitantes da ilha de Caimão Brac a um edifício abandonado. A casa inacabada, em forma de ovo, da década de 1960, com gigantescas janelas viradas para o mar, projetada para resistir ao vento e para fazer frente a furacões e tempestades tropicais, foi encontrada por acaso pela artista durante uma viagem à ilha para fotografar a carcaça do Teignmouth Electron, o barco do navegador Donald Crowhurst, tema de um importante corpo de trabalho iniciado em 1996, inspirado por histórias notáveis de encontros com o mar.Tacita Dean concebeu "Bubble House" como um retrato. A ausência de uma estrutura narrativa é enfatizada pelo sistema em loop usado para a apresentação do filme, assegurando que não há princípio nem fim. Os planos longos e estáticos convidam o espectador a experienciar uma espécie de suspensão temporal.
Tacita Dean (Canterbury, Kent, Reino Unido, 1965)Boots, 2003- 3 filmes 16 mm, cor, projeção anamórfica, som ótico, 20’ (cada). Ed. 1/4
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2005
- "Boots" é uma elegia à memória e à arquitetura. O filme tem origem na exposição de Dean realizada no Museu de Arte Contemporânea de Serralves em 2002, durante a qual a artista ficou fascinada com a "melancolia" e a qualidade cénica da vizinha Casa de Serralves, na altura prestes a ser renovada. Originalmente uma residência particular, o admirável edifício art déco e o parque envolvente resultaram de um projeto encomendado pelo 2º Conde de Vizela, Carlos Alberto Cabral, para os terrenos do que fora a quinta de recreio da família. Concebida e construída entre 1925 e 1944 pelos arquitetos José Marques da Silva (1869?1947) e Charles Siclis (1889?1942), a Casa de Serralves é considerada o mais notável exemplo de art déco em Portugal, devendo-se o seu interior aos mais importantes nomes das artes decorativas da época, entre eles Jacques Émile Ruhlmann (1879?1933) e René Lalique (1880?1945). No filme de 16 mm em três partes de Dean, um narrador idoso regressa à Casa e percorre as diferentes divisões com pavimentos em pedra lioz e soalho. "Quis animar o edifício de um modo muito específico", conta Dean, recorrendo a "um registo arquitetónico ficcional das peculiaridades da Casa". A decadente opulência torna-se um cenário para recordações eróticas. O narrador titular do filme, Boots, era na verdade o padrinho da irmã de Dean, um arquiteto de nome Robert Steane. "Chamávamos-lhe Boots por causa da sua bota ortopédica", explica a artista numa entrevista concedida ao historiador de arte Simon Schama. No entanto, em vez de desempenhar o papel do arquiteto da Casa, Boots preferiu representar o amante de Blanche, a antiga residente. As três versões do tríptico fílmico de Dean consistem em sequências de narração e diálogo em inglês, francês e alemão, as três línguas faladas pelo poliglota Boots. No entanto, não se trata de traduções; cada versão é antes uma parte distinta de um filme único, cada língua permitindo divergências na narrativa. Dean vai traçando a história das conquistas sexuais e da erudição maneirista de Boots ao longo dos três pisos da casa, desde o eixo principal e a claraboia até ao átrio que organiza os diversos volumes do edifício. "Cada versão mostra uma fachada diferente da casa, com Boots a entrar para uma sala diferente no piso térreo", esclarece Dean no texto que escreveu acerca desta obra para a Artforum. Parte da singularidade do filme - do seu ambiente sedutor - deve-se ao enquadramento das entradas e saídas de Boots. O uso por Dean da projeção anamórfica impõe uma relação especial entre profundidade e objeto filmado, sem aproximações nem movimentos da câmara, sem mudança de diafragma ou foco, o que confere um sentido próprio de escala, luz e ordem composicional. Filmados com a luz do final da tarde e do anoitecer, Boots e a casa parecem simultaneamente dentro e fora do tempo, com o filme a enredar o passado no presente.
Tacita Dean (Canterbury, Kent, Reino Unido, 1965)Craneway Event, 2009- Evento Craneway, 2009
- Filme de 16 mm, projeção anamórfica, cor, som ótico, 108 min. Ed. 3/4 + P.A.
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2014
- Em novembro de 2008, Tacita Dean filmou o coreógrafo Merce Cunningham [1919-2009] e a sua companhia de dança durante os três dias em que ensaiaram num edifício industrial, que em tempos albergara uma antiga linha de montagem da Ford em Richmond, Califórnia. Assistir a estes ensaios permitiu à artista observar atentamente o processo de trabalho de Cunningham, nomeadamente a construção da dança sem música. Desde então, "Craneway Event" tornou-se não só um dos mais importantes testemunhos dos métodos de trabalho de Cunningham, como um impressionante registo de um evento irrepetível. Descrevendo a génese deste seu trabalho, Dean afirmou: "Também não havia música no ensaio. Gostei da ideia de a dança acontecer em silêncio. A música que ele usa é geralmente criada independentemente da coreografia, por isso os bailarinos dançam por contagem. Também gostei que os bailarinos estivessem vestidos com a sua própria roupa, e não com fatos de palco. Pedi-lhes para usarem a mesma roupa todos os dias, pois pensei que iria montar o filme como se fosse um único dia, porque é assim que tenho feito no passado. Mas no final a luz era tão diferente que fiz três dias autónomos." "O Merce disse-me que não precisava de respeitar a cronologia da dança, o que foi muito libertador, mas, no final, acabei por segui-la de perto. O ‘Acontecimento’ decorria em três palcos onde os bailarinos atuavam em simultâneo; o espectador nunca tinha uma visão global, e o mesmo acontece no meu filme: não há uma perspetiva única. O verdadeiro Acontecimento é sempre fracionado."Com 1 hora e 48 minutos de duração, este filme é um dos trabalhos mais ambiciosos de Dean até à data e é emblemático dos temas que têm definido a sua obra ao longo de mais de vinte anos de carreira, nomeadamente o retrato, o movimento e a narrativa. Segundo a artista, "não há uma única cena que não tenha movimento, porque devido à sua duração o filme precisa de se manter ativo." Este trabalho é também um relato exemplar da consciência da passagem do tempo - uma característica constante nas obras de Dean, em conjunto com o uso de filme analógico, o meio por excelência de registo do tempo. Não há truques técnicos. "Há duas situações neste filme em que recorri a ‘jump cuts’, porque queria incluir uma sucessão de momentos, uma vez com Merce e outra com os outros bailarinos. No segundo dia ele torna-se muito ativo. Começa a escrutinar as transições, dizendo coisas como ‘Levanta-a agora. Agora põe-na no chão.’ Depois a câmara avança pelo meio dos bailarinos, porque eu não quis quebrar a tensão. Nessas ocasiões, fujo à minha regra estilística. Não é muito frequente recorrer a panorâmicas nos meus filmes. As panorâmicas aborrecem-me. (?) Gosto que as coisas aconteçam dentro do enquadramento; prefiro esperar por elas. É uma questão estética."A integração de "Craneway Event" na Coleção de Serralves vem reforçar o interesse do Museu em refletir a relação entre artes visuais e artes performativas e consolida a longa relação de Tacita Dean com Serralves, iniciada com a exposição apresentada no Museu em 2001 e com a posterior encomenda de uma obra: "Boots", filmado na Casa de Serralves em 2003.
Dibbets, Jan
Jan Dibbets (Weert, Holanda, 1941)Structure Piece - Leaves (1), 1974- Peça estrutura - Folhas (1), 1974
- Montagem de fotografias a cores
- 40.5 x 200 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2005
- A obra "Structure Piece - Leaves (1)" é composta por uma sequência de folhas de árvores montadas ao longo de uma linha horizontal. Registadas em grande plano e descontextualizadas da paisagem, as folhas perdem profundidade, enquanto a textura e a exposição seriada dos motivos criam um padrão geométrico. Daqui decorre uma tensão entre espaço e superfície bidimensional.Apesar de ter estudado pintura, Jan Dibbets cedo elegeu a fotografia como o seu meio de eleição. As suas composições fotográficas adotam como tema elementos da natureza, tais como relva, água e folhas. O meio fotográfico é usado pelo artista como instrumento analítico para explorar a nossa perceção do mundo natural.
Dumas, Marlene
Marlene Dumas (Cidade do Cabo, África do Sul, 1953)No Interviews, Please, 1980 - 1989- Entrevistas, por favor não, 1980 - 1989
- Tinta acrílica, lápis de cera e lápis sobre papel (20 elementos)
- 30 x 22 cm (cada)
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Doação da artista em 2010
- Em "No Interviews, Please" Marlene Dumas aborda temas de identidade e género. O facto de a sua prática se centrar na figura humana resulta do seu interesse nas tensões entre a esfera pública e a privada, perspetivado por questões sociais e políticas prementes da atualidade. Estes desenhos, muitos deles saídos de cadernos de esboços, combinam imagem e palavra escrita - uma das principais características da obra sobre papel da artista.
Durham, Jimmie
Time Heals All Wounds, 1995- O tempo cura todas as feridas, 1995
- Molduras autoportantes com fotografias a cores (2 elementos)
- 125 x 190 cm (cada)
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2014
- "Time Heals All Wounds" [O tempo cura todas as feridas] representa cenas em que "uma pedra salta e cai sobre um pedestal". As duas fotografias que constituem a obra foram feitas em Paris e em Lille com um ano de intervalo, durante o qual Jimmie Durham documentou o seu uso de pedras e outros materiais para transformar um objeto em qualquer coisa de diferente. As pedras não são apenas a mais simples das ferramentas ou das formas de tecnologia humana, mas também um meio para alterar o mundo ou para modelar a própria natureza. Ao mesmo tempo que aborda os mitos do avanço tecnológico e da civilização, Durham também sugere que a relação entre dois objetos que entram em contacto, tais como uma pedra e uma mesa, poderá diferir apenas em grau da nossa própria relação com esses mesmos objetos. Artista e escritor internacionalmente reconhecido, Jimmie Durham explora a natureza dos materiais - as suas qualidades físicas, assim como metafísicas - há mais de três décadas. Durham foi também ativista do American Indian Movement [Movimento Índio Americano] e foi o representante do International Indian Treaty Council [Conselho Internacional de Tratados Índios] nas Nações Unidas. A sua prática artística, que engloba escultura, instalação, desenho, vídeo, performance e fotografia, está estreitamente ligada a esse ativismo político, ao confrontar os preconceitos das formas de pensamento e de entendimento do mundo centradas no Ocidente. Aquilo que une muito do trabalho de Durham é uma postura contra aquilo a que chama "os dois alicerces da tradição europeia: crença e arquitetura". Ao rejeitar a certeza e a monumentalidade de ambas através de objetos, imagens e palavras, a abordagem de Durham é, pelo contrário, "ser investigadora". Muito do seu questionamento e da sua experimentação tomou a forma de um "apedrejamento", ou seja, deixar pedras em repouso ou deixá-las cair, bater ou marcar diversos objetos e materiais. Uma pedra em queda usa a gravidade para partir uma mesa e altera assim a sua forma; uma peça de obsidiana - uma pedra escura formada a partir da lava e de grande valor na Idade da Pedra - corta e lamina tanto matéria orgânica como inorgânica. Durham usa pedras para esmagar carros, amassar frigoríficos ou partir mobiliário.
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