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Santos, Ana
Ana Santos (Espinho, Portugal, 1982)Sem título, 2012- Pigmento sobre MDF
- 134.5 x 63.5 x 2.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2013
- Esta pintura sem título de Ana Santos (Espinho, 1982) exemplifica o impulso recoletor que está na origem da sua prática artística. A artista limitou-se a pintar uma placa de MDF encontrada na rua, conferindo-lhe nova vida. Os objetos e materiais que com regularidade leva para o seu estúdio, de que se destacam papel de cenário, madeira de balsa, retrovisores e tecidos são, na sua maioria, efémeros. A artista transforma-os ligeiramente através de pequenas intervenções - recortes, colagens, pinturas - que manifestam a relação corporal com eles estabelecida durante a permanência no seu estúdio. Esta prática implica uma total aceitação do acaso e a deliberada substituição da ideia de manipulação dos materiais pela noção de colaboração com os materiais. O trabalho de Ana Santos recorda o momento histórico da arte povera e o uso de materiais pobres como forma de denunciar o consumismo europeu que marcou as décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. Também construída a partir de resquícios da nossa cultura material, a sua obra oferece simultaneamente uma expressão da sua fragilidade e da sua energia sobrevivente.
Sarmento, Julião
Sem título, 1975- 3 fotografias p/b montadas em aglomerado de madeira
- 75.5 x 178 cm
- Col. Sarmento, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1997
- Nesta obra a visão de uma mulher arquetípica sem rosto associa a sensualidade do corpo feminino a uma prática de sedução e institui-o enquanto alvo de desejo instintivo ou carnal. A relação entre texto e imagem aproxima este trabalho da arte conceptual, enquanto o uso de casacos de peles enquanto produto de consumo o liga a um imaginário pop e introduz as texturas, fundos e padrões que caracterizariam a pintura de Julião Sarmento na década seguinte.Muitas vezes recorrendo a imagens semanticamente indeterminadas, a obra de Julião Sarmento combina diferentes suportes, como a fotografia, o vídeo, a instalação ou a pintura, explorando temas associados à sexualidade, ao desejo, ao fetichismo, ao voyeurismo, à violência, ao tempo ou à linguagem.
Dias de escuro e de luz - II (jarro), 1990- Acetato polivinílico, pigmentos, grafite, acrílico sobre tela de algodão não preparada
- 190 x 341 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1991
- "Dias de escuro e de luz" é a primeira série de um vasto conjunto de obras que, ao longo de toda a década de 1990, Julião Sarmento produz sob o título genérico de "Pinturas Brancas". Esta pintura apresenta uma figura feminina entreabrindo um dos vestidos pretos emblemáticos da iconografia do artista. Está acompanhada pelo seu duplo (sombra ou espectro), à esquerda, e por uma forma geométrica arredondada e um jarro de evidente conotação fálica, à direita. O desenho sóbrio e incisivo, associado à neutralidade do fundo branco, manifesta a intenção de Sarmento de eliminar o caráter descritivo e impactante da cor para, ao invés, procurar "as formas mais simples com o máximo efeito. (?) Quis eliminar todos os pontos de atração porque não me interessavam. Queria que o olhar fosse atraído apenas pela essência daquilo que ali estava (?), a forma mais simples possível que pudesse traduzir e transmitir a ideia que eu tinha em mente"."Dias de escuro e de luz" revela uma mudança pictórica e plástica no trabalho de Sarmento: a exuberância da forma e a saturação expressiva da cor, características da sua produção da década de 1980, dão agora lugar à contenção formal e à sobriedade tonal. Várias camadas sobrepostas de diferentes tipos de pigmentos brancos misturados com terra e outros materiais compõem uma superfície, que o artista entende como uma "memória da pele", sobre a qual se inscrevem desenhos a grafite que funcionam como cicatrizes reminiscentes de experiências vividas no corpo. O título desta nova série ressoa as alterações verificadas ao nível da técnica mas também o continuado interesse do artista pela indeterminação semântica das imagens. As suas obras nunca se explicam por si; ao representarem ações que estão prestes a acontecer ou que, pelo contrário, acabaram de acontecer, contêm sempre uma ambiguidade latente, abrindo-se por isso a diferentes sentidos consoante o espectador que as observa. O protagonista por excelência das obras de Sarmento é uma mulher arquetípica, quase sempre sem rosto e rodeada de referentes espaciais de clausura (plantas arquitetónicas sem entradas nem saídas, escadas e caminhos que não conduzem a lado nenhum) e de objetos (punhais, mesas ou flores) que veiculam pequenas histórias inquietantes em torno de ações como a perseguição, o ataque, a fuga ou a queda. Sarmento procura representar a natureza instintiva, frequentemente voyeurística, narcísica e transgressiva, dos gestos de sedução.
Estoril yellow plants, 2013- Acetato polivinílico, pigmentos, esmalte aquoso, gesso acrílico, tinta acrílica, grafite e serigrafia sobre tela de algodão não preparada
- 197 x 222 x 6.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2016
- "Estoril Yellow Plants" (2013), de Julião Sarmento (Lisboa, 1948), pertence a uma série de pinturas que reúne formas e temas que caracterizam a obra do artista - plantas de casas, a imagem e a forma do corpo feminino, a reflexão sobre o gesto da pintura e do desenho e o uso de fotografias de arquivo. A presença das flores (símbolo da inevitável degradação) associada à arquitetura (sólida, estável) pode ser entendida no seu comentário à passagem do tempo como numa atualização do género de pintura conhecido como "vanitas". Ao longo da sua carreira, a obra de Sarmento tem recorrido a um leque de referências de narrativas culturais retiradas da literatura, filosofia, arquitetura, música e cinema. Esta pluralidade de fontes encontra paralelo na diversidade de meios que o artista emprega: pintura, desenho, escrita, fotografia, cinema, vídeo, escultura, obra gráfica e livros. Apesar do seu sofisticado conhecimento dos diversos meios, Sarmento é primordialmente um pintor. Nos seus trabalhos, o artista acumula imagens, figuras, motivos e textos para explorar temas como a sexualidade, o desejo, a ausência o tempo e a linguagem.Muitas vezes recorrendo a imagens semanticamente indeterminadas, a obra de Julião Sarmento combina diferentes suportes, como a fotografia, o vídeo, a instalação ou a pintura, explorando temas associados à sexualidade, ao desejo, ao fetichismo, ao voyeurismo, à violência, ao tempo ou à linguagem.
Sasnal, Wilhelm
Director, 2005- Diretor, 2005
- Óleo sobre tela
- 70 x 55 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2008
- "Director" é parte de uma série que Wilhelm Sasnal dedicou à sua cidade natal, Tarnów, e que também inclui outras pinturas pertencentes à Coleção de Serralves: "Moscice 1", "Moscice 2" e "Moscice 3", todas de 2005. As obras baseiam-se em fotografias da Fábrica Estatal de Compostos de Nitrogénio de Moscice, um subúrbio industrial de Tarnów, revelando pormenores desconhecidos da história local e da envolvente da cidade. "Director" retrata o primeiro diretor da fábrica, Tadeusz Zwislocki. Em contraste com o espírito de orgulho e otimismo que anima as fotografias originais, o escuro retrato de Sasnal sugere uma realidade deteriorada: a promessa utópica de uma indústria capaz de oferecer emprego e progresso, conduzindo a um terrível falhanço. O interesse de Sasnal em criar obras de arte sobre a sua experiência da vida quotidiana fomentou o uso de uma panóplia de fontes facilmente disponíveis, incluindo livros, revistas, a Internet e capas de discos. Numa era saturada de imagens fotográficas, o artista confirma nas suas obras a capacidade de seduzir o espectador para prestar atenção àquilo que, à primeira vista, poderá parecer um motivo banal, mas que contém afinal histórias mais perturbantes.
Schütte, Thomas
Bunker, Modell V, 1981- Bunker, Modelo V, 1981
- Aglomerado, madeira, papier machê, tinta
- 26 x 48.5 x 38.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2009
- "Modell V" [Modelo V] faz parte de um conjunto de ideias para abrigos e bunkers de diferentes formas que Thomas Schütte começou a desenvolver em 1981 como resposta ao generalizado sentimento de ansiedade provocado pela crise político-militar que, no contexto da Guerra Fria, culminou na instalação, em 1983 e por parte dos norte-americanos, de mísseis Pershing na Alemanha, país natal do artista. Elaborada sob a forma de maqueta," Modell V" é reminiscente das fantasias arquitetónicas do revolucionário arquiteto francês Étienne-Louis Boullée e apresenta uma abertura que pode ser interpretada como a entrada de um abrigo primitivo mas que alude, também, ao corpo humano. A analogia estabelecida por Schütte é a de que, quando confrontadas com uma ameaça desconhecida, as pessoas procurarão abrigo em estruturas modeladas à imagem do seu próprio corpo.
Is There Life Before Death?, 1998- Haverá vida antes da morte?, 1998
- Cerâmica vidrada (16 elementos)
- Dimensões variáveis
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- Entre 1998 e 1999 Thomas Schütte realizou um conjunto de obras compostas por vasos em grés (vermelho ou branco) vidrados individualmente, às quais deu o nome de "Urnen" [Urnas]. Todos os trabalhos da série integram um número variável de vasos de formas diversas que, sobrepostos dois a dois, dão origem a novas formas, fechadas, verticais e quase sempre simétricas. Nenhuma das obras esgota os dez modelos de recipientes previamente desenhados pelo artista e nenhuma obedece a um esquema fixo de organização, devendo antes os elementos ser dispostos de forma orgânica e fluida. "Is There Life before Death?" [Haverá vida antes da morte?] distingue-se das restantes obras desta série. Por um lado, é a primeira em que Schütte trabalha de modo sistemático as superfícies vidradas com pingos de tinta, usando também uma cor amarela que contrasta com as tonalidades ocres, azuis e beges das restantes obras. Por outro lado, o seu título é diferente das outras "Urnen", situação que só tem paralelo numa outra obra do mesmo conjunto intitulada "Family" [Família]. Com efeito e tal como o artista tem referido, estes trabalhos associam-se a famílias (no sentido lato de grupos de pessoas que partilham algo em comum) e relacionam-se diretamente com a figura humana pela sua escala e a proximidade que estabelecem com o espectador ao serem instalados diretamente no solo. A referência à morte é clara não só no título como na alusão formal às urnas que acolhem as cinzas dos indivíduos cremados e no conteúdo que, em conversa com o curador Ulrich Loock, o próprio artista lhes atribui: "Lá dentro estão muitos sentimentos para os quais não há uma forma. Por isso fiz um recipiente". Os vasos fizeram a sua primeira aparição na obra de Schütte em" Die Fremden" [Os estrangeiros] (1992), trabalho que marca o início do reconhecimento internacional deste artista formado na Kunstakademie Düsseldorf entre 1973 e 1981. Com este trabalho, Schütte aborda problemas associados aos fluxos migratórios que na altura atravessavam a Alemanha, refletindo o seu interesse pelo contexto económico e sociocultural do seu país e pela necessidade de se questionar o modo como a Alemanha (e a Europa) lida com as suas próprias heranças históricas. "Is There Life before Death?" sugere uma outra morte: as urnas e o vazio que contêm adquirem uma qualidade memorial que funciona como contraimagem dos símbolos e das experiências agitadoras de consciências promovidos pelos totalitarismos sociopolíticos europeus e pelas vanguardas artísticas. "Is There Life before Death?" instaura um diálogo com a tradição artística modernista que é uma das facetas mais marcantes do percurso de Schütte. O seu interesse pelos ideais normativos e revolucionários da arte de início do século XX dirige-se sobretudo para uma investigação sobre a pertinência da utilidade social da arte, do seu caráter público e do seu papel no quotidiano das pessoas. Estes temas são desenvolvidos por Schütte a partir da perspetiva distanciada e desencantada do pós-modernismo (e da desconfiança que este nutre em relação às grandes narrativas), com recurso a formas, técnicas e linguagens artísticas tradicionais, caídas em desuso pela experimentação que a cultura novecentista valorizou no fazer artístico. O material utilizado em "Is There Life before Death?" (cerâmica vidrada), o trabalho em redor da escala, da cor e da forma, bem como a referência às artes decorativas e à escultura monumental figurativa, atestam este interesse de Schütte pelos legados artísticos e por uma ideia de representação que se torna particularmente visível nas bases que, à maneira dos tradicionais plintos para escultura, suportam os seus conhecidos modelos arquitetónicos.
Sehgal, Tino
Tino Sehgal (Londres, Reino Unido, 1976)This is New, 2003- Isto é novo, 2003
- Conceito e interpretação
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2008
- Ao preparar a apresentação de "This is New" [Isto é novo] no Museu de Serralves, em 2005, o artista pediu aos rececionistas do museu que escolhessem um título de qualquer jornal, o decorassem e o repetissem diariamente a cada visitante, seguido pelo título da peça, o nome do artista e a data em que foi criada. O título ele próprio joga de forma irónica com a coincidência entre ouvir diariamente as notícias e ter uma experiência inesperada num museu. Apresentada continuamente durante o horário de abertura, esta obra, como todos os projetos de Sehgal, não pode ser registada nunca, de modo que o Museu de Serralves apenas pode transmitir oralmente as suas instruções a novos rececionistas.Sehgal descreve o seu trabalho como "situações construídas", para as distinguir de performances, e refere-se às pessoas envolvidas não como performers mas como intérpretes. Desafiando as convenções do museu como apresentador e colecionador de objetos singulares, as situações de Sehgal desafiam também as leis do mercado, uma vez que não são transacionadas através um contrato escrito tradicional - o comprador tem de aceitar que o trabalho que deseja colecionar seja transmitido através de uma cerimónia contratual estritamente oral. Tino Seghal, que estudou economia antes de se dedicar às artes visuais, entende estas como um microcosmos da nossa realidade económica assente na produção de bens e na sua subsequente circulação. O artista centra o seu trabalho nas subtilezas dos gestos quotidianos e, através da pura imaterialidade das suas "produções", pretende reconsiderar as condições em que a arte é produzida, rececionada e posta a circular, assim como os valores fundamentais do nosso sistema social, como a sustentabilidade, a propriedade e a originalidade.
Sena, António
António Sena (Lisboa, Portugal, 1941)Sem título, 1968- Spray e tinta acrílica sobre tela
- 121 x 121 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2011
- Gerando uma dialética entre inteligibilidade e dissimulação, apropriação e representação, "Sem título" representa uma claquete de cinema despojada da sua função comunicativa: apenas exibe um código escrito ou icónico, destituído do seu papel convencional para assumir um significado que advém do seu próprio fazer e ser em pintura.A partir da experimentação sobre os limites da pintura, António Sena desenvolveu um estudo em torno da cor, dos materiais e da composição, concretizado através do uso do spray industrial, do desenho ou das rasuras caligráficas. Sugerindo frequentemente uma leitura em palimpsesto, o seu trabalho parece inscrever-se no domínio da comunicação pelo uso de signos e elementos gráficos; no entanto, a informação é reiteradamente sonegada, tornada indecifrável pela saturação da tela ou pela utilização de vocábulos estrangeiros sem relação evidente.
António Sena (Lisboa, Portugal, 1941)Sem título, 1969- Spray industrial e tinta acrílica sobre tela
- 180 x 121 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2011
- "Sem título" é uma revisitação do "Poème phonétique" [Poema fonético, 1924] de Man Ray, um poema "mudo" onde as palavras são substituídas por linhas segmentadas que marcam ritmo e métrica. Enquanto a obra de Man Ray é composta por segmentos negros sob fundo branco, Sena inverte a imagem recobrindo a tela com tinta negra e deixando a branco apenas os segmentos de linha. O silêncio do poema de Man Ray é reafirmado nesta pintura pela impossibilidade fonética da sua mensagem, onde as palavras são substituídas pela sua memória, tornando-se presentes porque ausentes.A partir da experimentação sobre os limites da pintura, António Sena desenvolveu um estudo em torno da cor, dos materiais e da composição, concretizado através do uso do spray industrial, do desenho ou das rasuras caligráficas. Sugerindo frequentemente uma leitura em palimpsesto, o seu trabalho parece inscrever-se no domínio da comunicação pelo uso de signos e elementos gráficos; no entanto, a informação é reiteradamente sonegada, tornada indecifrável pela saturação da tela ou pela utilização de vocábulos estrangeiros sem relação evidente.
Serra, Richard
Richard Serra (San Francisco, EUA, 1939)Wood-Lead Prop, 1969- Apoio madeira-chumbo, 1969
- Madeira, chumbo
- 46 x 185 x 18 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1999
- Entre 1967 e 1968, Richard Serra elaborou uma lista de verbos transitivos - enrolar, dobrar, encurvar, etc. - cuja manifestação física procurou representar em escultura. Depois de ter explorado verbos como lançar, enrolar e rasgar [to cast, to roll, to tear] em obras em que atirava chumbo derretido contra o chão e as paredes, após 1968 recorreu ao chumbo para materializar uma outra relação transitiva: sustentar [to prop]. As suas primeiras "Prop Pieces" [peças sustentadas, apoiadas ou escoradas] exploram o peso e a inércia do chumbo em estruturas formadas por várias partes independentes, mantidas em equilíbrio ou em estado de tensão pelo seu próprio peso e pela gravidade. Como o título indica, "Wood-Lead Prop" [Apoio madeira-chumbo] exemplifica a ação de sustentar: trata-se de uma peça retangular de chumbo pousada no chão, apoiada numa trave de madeira. A peça de chumbo é mantida na sua posição pelo seu peso e pela tensão resultante do posicionamento dos dois elementos um contra o outro. Apenas o precário jogo de forças entre os dois materiais os mantém em equilíbrio. A instalação da peça no chão, permitindo que o espectador a circunde, e o facto de esta não pretender representar nada a não ser a forma criada pela relação entre os seus elementos reflete os princípios do minimalismo. No entanto, aqui a ênfase é claramente posta na tensão entre os elementos constituintes. Como é típico de Serra, os materiais foram deixados em bruto, assumindo o processo de oxidação, adquirindo pátina com a passagem do tempo. Desejando ir mais longe na sua exploração dos materiais e pretendendo criar esculturas site-specific que pudessem ser circundadas e atravessadas, Serra passa a usar aço e com ele as suas obras ganham uma escala e um peso monumentais. Quase sempre realizadas para uma localização concreta, quer se trate de uma praça urbana, uma paisagem natural ou o interior de um museu, as esculturas de Serra são constituídas por grandes planos (retos ou curvos, isolados ou dispostos em conjunto, em paralelo, elipse ou espiral) que desafiam a gravidade e alteram a perceção do espaço.
Richard Serra (San Francisco, EUA, 1939)Boomerang, 1974- Boomerangue, 1974
- Vídeo, cor, som, 4:3, PAL, 11'
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1999
- Na viragem da década de 1960, Richard Serra realizou uma série de filmes e vídeos experimentais onde procedeu ao exame do próprio suporte enquanto estrutura de comunicação. Antecipando as esculturas de grandes dimensões em aço Corten que notabilizaram o artista, Boomerang encerra uma destabilização da normal perceção dos fenómenos e o modo como ela é afetada pela passagem do tempo. Aqui, a artista Nancy Holt submete-se à experiência de escutar a sua própria voz à medida que descreve a estranheza que lhe causa estar a ouvir-se em eco e com um ligeiro atraso temporal. Para além do seu próprio desdobramento entre sujeito falante e sujeito ouvinte. Holt identifica sensações de deslocamento, abrandamento cognitivo e dilatação temporal que passam alternadamente da audição para a fala, num movimento circular que se estende aos seus próprios pensamentos e à enunciação das suas ideias. Os problemas técnicos, como falhas de imagem e de som, que ocorrem durante as filmagens são assumidos como parte integrante desta obra, correlatos do eco e do desfasamento temporal que exercem sobre o sistema percetivo da artista um idêntico efeito disruptivo.
Richard Serra (San Francisco, EUA, 1939)Walking is Measuring, 2000- Andar é medir, 2000
- Aço corten (2 elementos)
- 532 x 244 x 15 cm ; 386 x 244 x 15 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Prémio Tabaqueira de Arte Pública, atribuído à cidade do Porto. Aquisição em 2000
- Richard Serra (São Francisco, EUA, 1939) é um ponto de referência para a arte americana do pós-guerra, associado ao minimalismo e ao pós-minimalismo, com uma obra reconhecida em todo o mundo, nomeadamente as suas esculturas de grandes dimensões, muitas das quais se encontram em cenários arquitetónicos, urbanos e naturais. "Walking is Measuring" [Andar é medir] foi especificamente concebida para um local selecionado pelo artista no Parque de Serralves. Características da obra de Serra são a sua localização precisa e as resultantes relações do objeto escultórico com a área circundante: "A seleção do local foi ditada pela intimidade e pela sensibilidade da velha avenida de pedras e árvores onde o artificial e o natural se apoiam reciprocamente, complementando-se e enriquecendo-se um ao outro. Com a construção do novo museu a função da avenida perdeu-se, tendo o local sido marginalizado. O propósito desta escultura é restaurar a sua função e devolver o público à privacidade e à intimidade da histórica avenida". A obra consiste em dois grandes painéis retangulares de aço colocados entre uma fila de árvores e o muro original que rodeia o parque separando-o da rua. Quando os visitantes percorrem o caminho, confrontados com os elementos escultóricos e as suas dimensões, materializam a ideia contida no título da peça (caminhar é medir), ao mesmo tempo que restituem ao espaço escala humana e utilidade. "Walking is Measuring" foi instalada no Parque de Serralves em 2000, na sequência da atribuição do Prémio Tabaqueira de Arte Pública ao artista nesse mesmo ano.
Skapinakis, Nikias
Enlevo de Miss Europa, 1973- Óleo sobre tela
- 150 x 117 cm
- Col. Secretaria de Estado da Cultura, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990
- Esta pintura faz parte de uma série intitulada "Metamorfoses de Zeus" que Nikias Skapinakis desenvolveu durante a década de 1970. Neste caso, temas simbólicos da história da arte - como a pintura mitológica ou o nu feminino - são dessacralizados e banalizados através de uma exploração plástica próxima da estética gráfica do cartaz, de clara influência pop.As características formais desta série - nomeadamente a bidimensionalidade, os grandes planos de cores lisas, a ausência de fundo, a exatidão do desenho ou as formas sinuosas e delineadas - revelam o tipo de regime pictórico de sintetização formal que Nikias começou a desenvolver nos anos 1960, cortando com uma pintura mais próxima do expressionismo ou simbolismo, e que irá conduzir às abstrações dos anos 1980 pautadas por uma maior economia da cor e da linha.
Solakov, Nedko
Nedko Solakov (Cherven Briag, Bulgária, 1957)Enlightened by the Decisions, 1986- Iluminados pelas decisões, 1986
- Carvão, grafite e giz vermelho sobre papel (7 elementos)
- 71 x 95 cm (cada)
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2013
- "Enlightened by the Decisions" [Iluminados pelas decisões] é uma série de sete desenhos produzida por Nedko Solakov em 1986 e apresentada ao público pela primeira vez em 1988, na exposição individual do artista na União de Artistas Búlgaros, em Sófia. O título, inscrito na parte inferior da maioria dos desenhos, refere-se a uma expressão recorrente da retórica propagandística usada pelos funcionários do Partido em declarações oficiais surgidas nos meios de comunicação social, vinculando as medidas governamentais às resoluções saídas dos congressos do Partido Comunista Búlgaro. Solakov usou este cliché idiomático como acompanhamento irónico das cenas gráficas representadas nos desenhos, onde reproduz situações e estados de espírito que refletem a antítese do esclarecimento, tanto enquanto realidade filosófica como empírica. Os desenhos mostram silhuetas exageradas, desenhadas em traço rápido, e formas grosseiramente sombreadas que evocam líderes partidários em salas de reuniões, esperando em filas, ou dobrados sobre si próprios em estado de desespero. Num dos desenhos (n.º 4), a expressão "Iluminados pelas decisões" é substituída pela frase "Temporariamente não iluminados pelas decisões", numa alusão aos frequentes cortes de energia impostos pelo governo para poupar eletricidade, que obrigavam a população a recorrer à luz das velas. A natureza violenta e absurda dos expressivos cenários de Solakov é resumida pelo facilmente reconhecível autorretrato do artista (desenho n.º 7) engolido por uma massa negra. Esta paródia visual da noção de futuro brilhante recorda um outro título que esta série tinha originalmente, "Past #1" [Passado n.º 1], segundo o próprio artista uma alusão à ideia "de que todos estes problemas se encontravam já ultrapassados na sociedade socialista. O que, como sabemos, não era verdade, mas apesar de tudo, defensável desta forma".
Sousa, Ângelo de
Ângelo de Sousa (Maputo, Moçambique, 1938 - Porto, Portugal, 2011)Sem título, 1968- Aço inoxidável
- Dimensões variáveis
- Col. Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1999
- A série de esculturas "Sem título", realizada entre 1970 e 1972 por Ângelo de Sousa, é constituída por sete elementos compostos por tiras de aço inoxidável ligadas por parafusos de aço. Pode ser entendida como uma elegante materialização do desenho, meio em que o artista também se notabilizou.A escultura de Ângelo de Sousa revela-se como exercício de construção do desenho no espaço, em que a forma é uma consequência do que é possível realizar a partir do material escolhido. Não se trata, no entanto, de dar volume ao que era representação bidimensional numa situação de projeto. A aparência deliberadamente improvisada das suas obras decorre justamente de "uma certa premeditação no sentido de deixar as coisas acontecerem". Existe um interesse por parte do artista em tornar transparente o seu processo de trabalho, executando esculturas que partem de ações simples, como cortar e dobrar, num absoluto respeito pelas características físicas dos materiais.Descrevendo-se como um "expressionista sublimado", Ângelo de Sousa trabalhou em diferentes meios, como o desenho, a pintura, a escultura, a fotografia, o filme ou a cenografia. Manteve-se sempre à margem das diversas correntes artísticas com que foi conotado, embora o seu singular imaginário tenha encontrado afinidades em artistas como Klee e Kandinsky, nas artes primitivas e na arte bruta, no expressionismo ou em movimentos como a pintura Colour Field, a Op Art ou a arte pop. Simultaneamente livre e pluridisciplinar, o artista resistiu a qualquer forma de estabilidade através de um persistente sentido de liberdade e experimentação no uso das formas e das matérias.
Ângelo de Sousa (Maputo, Moçambique, 1938 - Porto, Portugal, 2011)Sem título, 1968 - 1969- Aço, madeira lacada
- 67 x 133.5 x 77.5 cm
- Col. Secretaria de Estado da Cultura, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990
- A série de esculturas "Sem título", realizada entre 1970 e 1972 por Ângelo de Sousa, é constituída por sete elementos compostos por tiras de aço inoxidável ligadas por parafusos de aço. Pode ser entendida como uma elegante materialização do desenho, meio em que o artista também se notabilizou.A escultura de Ângelo de Sousa revela-se como exercício de construção do desenho no espaço, em que a forma é uma consequência do que é possível realizar a partir do material escolhido. Não se trata, no entanto, de dar volume ao que era representação bidimensional numa situação de projeto. A aparência deliberadamente improvisada das suas obras decorre justamente de "uma certa premeditação no sentido de deixar as coisas acontecerem". Existe um interesse por parte do artista em tornar transparente o seu processo de trabalho, executando esculturas que partem de ações simples, como cortar e dobrar, num absoluto respeito pelas características físicas dos materiais.Descrevendo-se como um "expressionista sublimado", Ângelo de Sousa trabalhou em diferentes meios, como o desenho, a pintura, a escultura, a fotografia, o filme ou a cenografia. Manteve-se sempre à margem das diversas correntes artísticas com que foi conotado, embora o seu singular imaginário tenha encontrado afinidades em artistas como Klee e Kandinsky, nas artes primitivas e na arte bruta, no expressionismo ou em movimentos como a pintura Colour Field, a Op Art ou a arte pop. Simultaneamente livre e pluridisciplinar, o artista resistiu a qualquer forma de estabilidade através de um persistente sentido de liberdade e experimentação no uso das formas e das matérias.
Ângelo de Sousa (Maputo, Moçambique, 1938 - Porto, Portugal, 2011)Escultura, 1970- Contraplacado, corda
- Altura variável x 100 x 150 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2002
- Em "Escultura", duas de três placas quadradas de contraplacado erguem-se do solo, suspensas por uma corda que as une. Mais do que volumes, são planos que ocupam o espaço; não têm interior, apenas duas faces tornadas exteriores. A obra segue alguns procedimentos comuns a muitos trabalhos de Ângelo de Sousa: projetar superfícies no espaço em função da dicotomia verso/reverso e não da tradicional dualidade interior/exterior; e uma economia de meios que visa a obtenção de um máximo de efeitos. O eixo vertical de "Escultura" - criado pela corda que perpassa dois dos quatro orifícios de cada um dos três elementos, unindo-os entre si - e a contingência da presença da obra no espaço, que torna cada uma das suas apresentações ligeiramente diferente da anterior, tornam esta peça única no conjunto da obra do artista.Descrevendo-se como um "expressionista sublimado", Ângelo de Sousa trabalhou em diferentes meios, como o desenho, a pintura, a escultura, a fotografia, o filme ou a cenografia. Manteve-se sempre à margem das diversas correntes artísticas com que foi conotado, embora o seu singular imaginário tenha encontrado afinidades em artistas como Klee e Kandinsky, nas artes primitivas e na arte bruta, no expressionismo ou em movimentos como a pintura Colour Field, a Op Art ou a arte pop. Simultaneamente livre e pluridisciplinar, o artista resistiu a qualquer forma de estabilidade através de um persistente sentido de liberdade e experimentação no uso das formas e das matérias.
Ângelo de Sousa (Maputo, Moçambique, 1938 - Porto, Portugal, 2011)Chão, 1972- ChãoChão, 1972
- Filme Super 8 transferido para DVD, cor, sem som, 4'47''
- Col. Estate Ângelo de Sousa, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2000
- Ângelo de Sousa é um dos artistas portugueses mais importantes da sua geração. Os seus trabalhos em pintura, escultura, desenho, filme, vídeo e fotografia são informados por um profundo conhecimento das grandes correntes artísticas do seu tempo, do minimalismo à arte conceptual e ao filme experimental. O grande experimentalismo da sua obra revela-se num conjunto restrito de interesses reiteradamente explorados e em constante atualização processual: o apego a formas simples ("ao alcance de todas as mãos"), o uso apurado da cor (incluindo na escultura), a indiferença pelos aspetos narrativos da arte e a exploração das possibilidades técnicas oferecidas pelos meios (como as camadas de tinta na pintura, o recorte e a dobragem dos metais na escultura, a liberdade do traço no desenho ou as velocidades de filmagem e de projeção no filme e no vídeo). "Chão" pertence a um conjunto de trabalhos, realizados na década de 70 com uma câmara Super 8, a que o artista se referiu como "filmes de chão". Trata-se de experiências fílmicas que exploram os efeitos pictóricos da imagem (cor, luz, profundidade, definição) e que registam a relação performativa do corpo do artista com os espaços percorridos. Resultado casual de deambulações com a câmara de filmar na mão apontada ao solo, a planificação destes filmes cinge-se, na maioria das vezes, ao controlo da luz e à adaptação do motivo captado à quantidade de película existente. Os resultados, com as suas desfocagens, a desaceleração da imagem e um efeito geral de arrastamento reminiscente do impressionismo, viriam a revelar-se importantes nas suas pinturas e desenhos dos anos 1980.Descrevendo-se como um "expressionista sublimado", Ângelo de Sousa trabalhou em diferentes meios, como o desenho, a pintura, a escultura, a fotografia, o filme ou a cenografia. Manteve-se sempre à margem das diversas correntes artísticas com que foi conotado, embora o seu singular imaginário tenha encontrado afinidades em artistas como Klee e Kandinsky, nas artes primitivas e na arte bruta, no expressionismo ou em movimentos como a pintura Colour Field, a Op Art ou a arte pop. Simultaneamente livre e pluridisciplinar, o artista resistiu a qualquer forma de estabilidade através de um persistente sentido de liberdade e experimentação no uso das formas e das matérias.
Ângelo de Sousa (Maputo, Moçambique, 1938 - Porto, Portugal, 2011)Sem título, 1970 - 1972- Tiras de aço inoxidável, parafusos de aço (7 elementos)
- 250 x 600 cm aprox.
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1993
- A série de esculturas "Sem título", realizada entre 1970 e 1972 por Ângelo de Sousa, é constituída por sete elementos compostos por tiras de aço inoxidável ligadas por parafusos de aço. Pode ser entendida como uma elegante materialização do desenho, meio em que o artista também se notabilizou.A escultura de Ângelo de Sousa revela-se como exercício de construção do desenho no espaço, em que a forma é uma consequência do que é possível realizar a partir do material escolhido. Não se trata, no entanto, de dar volume ao que era representação bidimensional numa situação de projeto. A aparência deliberadamente improvisada das suas obras decorre justamente de "uma certa premeditação no sentido de deixar as coisas acontecerem". Existe um interesse por parte do artista em tornar transparente o seu processo de trabalho, executando esculturas que partem de ações simples, como cortar e dobrar, num absoluto respeito pelas características físicas dos materiais.Descrevendo-se como um "expressionista sublimado", Ângelo de Sousa trabalhou em diferentes meios, como o desenho, a pintura, a escultura, a fotografia, o filme ou a cenografia. Manteve-se sempre à margem das diversas correntes artísticas com que foi conotado, embora o seu singular imaginário tenha encontrado afinidades em artistas como Klee e Kandinsky, nas artes primitivas e na arte bruta, no expressionismo ou em movimentos como a pintura Colour Field, a Op Art ou a arte pop. Simultaneamente livre e pluridisciplinar, o artista resistiu a qualquer forma de estabilidade através de um persistente sentido de liberdade e experimentação no uso das formas e das matérias.
Ângelo de Sousa (Maputo, Moçambique, 1938 - Porto, Portugal, 2011)Marmeleiro, 1973- Filme Super 8 transferido para DVD, cor, sem som, 12'20''
- Col. Estate Ângelo de Sousa, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2000
- Ângelo de Sousa é um dos artistas portugueses mais importantes da sua geração. Os seus trabalhos em pintura, escultura, desenho, filme, vídeo e fotografia são informados por um profundo conhecimento das grandes correntes artísticas do seu tempo, do minimalismo à arte conceptual e ao filme experimental. O grande experimentalismo da sua obra revela-se num conjunto restrito de interesses reiteradamente explorados e em constante atualização processual: o apego a formas simples ("ao alcance de todas as mãos"), o uso apurado da cor (incluindo na escultura), a indiferença pelos aspetos narrativos da arte e a exploração das possibilidades técnicas oferecidas pelos meios (como as camadas de tinta na pintura, o recorte e a dobragem dos metais na escultura, a liberdade do traço no desenho ou as velocidades de filmagem e de projeção no filme e no vídeo). "Marmeleiro" pertence a um conjunto de trabalhos, realizados na década de 70 com uma câmara Super 8, a que o artista se referiu como "filmes de chão". Trata-se de experiências fílmicas que exploram os efeitos pictóricos da imagem (cor, luz, profundidade, definição) e que registam a relação performativa do corpo do artista com os espaços percorridos. Resultado casual de deambulações com a câmara de filmar na mão apontada ao solo, a planificação destes filmes cinge-se, na maioria das vezes, ao controlo da luz e à adaptação do motivo captado à quantidade de película existente. Os resultados, com as suas desfocagens, a desaceleração da imagem e um efeito geral de arrastamento reminiscente do impressionismo, viriam a revelar-se importantes nas suas pinturas e desenhos dos anos 1980.Descrevendo-se como um "expressionista sublimado", Ângelo de Sousa trabalhou em diferentes meios, como o desenho, a pintura, a escultura, a fotografia, o filme ou a cenografia. Manteve-se sempre à margem das diversas correntes artísticas com que foi conotado, embora o seu singular imaginário tenha encontrado afinidades em artistas como Klee e Kandinsky, nas artes primitivas e na arte bruta, no expressionismo ou em movimentos como a pintura Colour Field, a Op Art ou a arte pop. Simultaneamente livre e pluridisciplinar, o artista resistiu a qualquer forma de estabilidade através de um persistente sentido de liberdade e experimentação no uso das formas e das matérias.
Ângelo de Sousa (Maputo, Moçambique, 1938 - Porto, Portugal, 2011)Muro, 1973- Filme Super 8 transferido para DVD, cor, sem som, 12'58''
- Col. Estate Ângelo de Sousa, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2000
- Ângelo de Sousa é um dos artistas portugueses mais importantes da sua geração. Os seus trabalhos em pintura, escultura, desenho, filme, vídeo e fotografia são informados por um profundo conhecimento das grandes correntes artísticas do seu tempo, do minimalismo à arte conceptual e ao filme experimental. O grande experimentalismo da sua obra revela-se num conjunto restrito de interesses reiteradamente explorados e em constante atualização processual: o apego a formas simples ("ao alcance de todas as mãos"), o uso apurado da cor (incluindo na escultura), a indiferença pelos aspetos narrativos da arte e a exploração das possibilidades técnicas oferecidas pelos meios (como as camadas de tinta na pintura, o recorte e a dobragem dos metais na escultura, a liberdade do traço no desenho ou as velocidades de filmagem e de projeção no filme e no vídeo). "Muro" pertence a um conjunto de trabalhos, realizados na década de 70 com uma câmara Super 8, a que o artista se referiu como "filmes de chão". Trata-se de experiências fílmicas que exploram os efeitos pictóricos da imagem (cor, luz, profundidade, definição) e que registam a relação performativa do corpo do artista com os espaços percorridos. Resultado casual de deambulações com a câmara de filmar na mão apontada ao solo, a planificação destes filmes cinge-se, na maioria das vezes, ao controlo da luz e à adaptação do motivo captado à quantidade de película existente. Os resultados, com as suas desfocagens, a desaceleração da imagem e um efeito geral de arrastamento reminiscente do impressionismo, viriam a revelar-se importantes nas suas pinturas e desenhos dos anos 1980.Descrevendo-se como um "expressionista sublimado", Ângelo de Sousa trabalhou em diferentes meios, como o desenho, a pintura, a escultura, a fotografia, o filme ou a cenografia. Manteve-se sempre à margem das diversas correntes artísticas com que foi conotado, embora o seu singular imaginário tenha encontrado afinidades em artistas como Klee e Kandinsky, nas artes primitivas e na arte bruta, no expressionismo ou em movimentos como a pintura Colour Field, a Op Art ou a arte pop. Simultaneamente livre e pluridisciplinar, o artista resistiu a qualquer forma de estabilidade através de um persistente sentido de liberdade e experimentação no uso das formas e das matérias.
Ângelo de Sousa (Maputo, Moçambique, 1938 - Porto, Portugal, 2011)Ribeiro, 1973- Filme Super 8 transferido para DVD, cor, sem som, 20'52''
- Col. Estate Ângelo de Sousa, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2000
- Ângelo de Sousa é um dos artistas portugueses mais importantes da sua geração. Os seus trabalhos em pintura, escultura, desenho, filme, vídeo e fotografia são informados por um profundo conhecimento das grandes correntes artísticas do seu tempo, do minimalismo à arte conceptual e ao filme experimental. O grande experimentalismo da sua obra revela-se num conjunto restrito de interesses reiteradamente explorados e em constante atualização processual: o apego a formas simples ("ao alcance de todas as mãos"), o uso apurado da cor (incluindo na escultura), a indiferença pelos aspetos narrativos da arte e a exploração das possibilidades técnicas oferecidas pelos meios (como as camadas de tinta na pintura, o recorte e a dobragem dos metais na escultura, a liberdade do traço no desenho ou as velocidades de filmagem e de projeção no filme e no vídeo). "Ribeiro" pertence a um conjunto de trabalhos, realizados na década de 70 com uma câmara Super 8, a que o artista se referiu como "filmes de chão". Trata-se de experiências fílmicas que exploram os efeitos pictóricos da imagem (cor, luz, profundidade, definição) e que registam a relação performativa do corpo do artista com os espaços percorridos. Resultado casual de deambulações com a câmara de filmar na mão apontada ao solo, a planificação destes filmes cinge-se, na maioria das vezes, ao controlo da luz e à adaptação do motivo captado à quantidade de película existente. Os resultados, com as suas desfocagens, a desaceleração da imagem e um efeito geral de arrastamento reminiscente do impressionismo, viriam a revelar-se importantes nas suas pinturas e desenhos dos anos 1980.Descrevendo-se como um "expressionista sublimado", Ângelo de Sousa trabalhou em diferentes meios, como o desenho, a pintura, a escultura, a fotografia, o filme ou a cenografia. Manteve-se sempre à margem das diversas correntes artísticas com que foi conotado, embora o seu singular imaginário tenha encontrado afinidades em artistas como Klee e Kandinsky, nas artes primitivas e na arte bruta, no expressionismo ou em movimentos como a pintura Colour Field, a Op Art ou a arte pop. Simultaneamente livre e pluridisciplinar, o artista resistiu a qualquer forma de estabilidade através de um persistente sentido de liberdade e experimentação no uso das formas e das matérias.
Ângelo de Sousa (Maputo, Moçambique, 1938 - Porto, Portugal, 2011)Sem título, 1971 - 1973- Acetato de polivinilo sobre tela
- 200 x 170 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2003
- As pinturas de Ângelo de Sousa atingiram uma pureza abstrata no final dos anos 1960, manifestando uma perspetiva pictórica de fusão entre forma e ideia. Esta pintura sem título insere-se nesse conjunto de "monocromias" que se reduzem à geometria, onde a zona pintada se circunscreve a uma área delimitada do quadro e a parte restante se constitui como um "recalcamento" do branco, que pode ser ou significar, alternadamente, fundo ou forma. O preto e o branco surgem assim como oposição de planos no quadro, bem como espaços de textura, luz e movimento difusos na cor.Descrevendo-se como um "expressionista sublimado", Ângelo de Sousa trabalhou em diferentes meios, como o desenho, a pintura, a escultura, a fotografia, o filme ou a cenografia. Manteve-se sempre à margem das diversas correntes artísticas com que foi conotado, embora o seu singular imaginário tenha encontrado afinidades em artistas como Klee e Kandinsky, nas artes primitivas e na arte bruta, no expressionismo ou em movimentos como a pintura Colour Field, a Op Art ou a arte pop. Simultaneamente livre e pluridisciplinar, o artista resistiu a qualquer forma de estabilidade através de um persistente sentido de liberdade e experimentação no uso das formas e das matérias.
Ângelo de Sousa (Maputo, Moçambique, 1938 - Porto, Portugal, 2011)Flores Vermelhas, 1974- Filme Super 8 transferido para DVD, cor, sem som, 11'58''
- Col. Estate Ângelo de Sousa, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2000
- Ângelo de Sousa é um dos artistas portugueses mais importantes da sua geração. Os seus trabalhos em pintura, escultura, desenho, filme, vídeo e fotografia são informados por um profundo conhecimento das grandes correntes artísticas do seu tempo, do minimalismo à arte conceptual e ao filme experimental. O grande experimentalismo da sua obra revela-se num conjunto restrito de interesses reiteradamente explorados e em constante atualização processual: o apego a formas simples ("ao alcance de todas as mãos"), o uso apurado da cor (incluindo na escultura), a indiferença pelos aspetos narrativos da arte e a exploração das possibilidades técnicas oferecidas pelos meios (como as camadas de tinta na pintura, o recorte e a dobragem dos metais na escultura, a liberdade do traço no desenho ou as velocidades de filmagem e de projeção no filme e no vídeo). "Flores vermelhas" pertence a um conjunto de trabalhos, realizados na década de 70 com uma câmara Super 8, a que o artista se referiu como "filmes de chão". Trata-se de experiências fílmicas que exploram os efeitos pictóricos da imagem (cor, luz, profundidade, definição) e que registam a relação performativa do corpo do artista com os espaços percorridos. Resultado casual de deambulações com a câmara de filmar na mão apontada ao solo, a planificação destes filmes cinge-se, na maioria das vezes, ao controlo da luz e à adaptação do motivo captado à quantidade de película existente. Os resultados, com as suas desfocagens, a desaceleração da imagem e um efeito geral de arrastamento reminiscente do impressionismo, viriam a revelar-se importantes nas suas pinturas e desenhos dos anos 1980.Descrevendo-se como um "expressionista sublimado", Ângelo de Sousa trabalhou em diferentes meios, como o desenho, a pintura, a escultura, a fotografia, o filme ou a cenografia. Manteve-se sempre à margem das diversas correntes artísticas com que foi conotado, embora o seu singular imaginário tenha encontrado afinidades em artistas como Klee e Kandinsky, nas artes primitivas e na arte bruta, no expressionismo ou em movimentos como a pintura Colour Field, a Op Art ou a arte pop. Simultaneamente livre e pluridisciplinar, o artista resistiu a qualquer forma de estabilidade através de um persistente sentido de liberdade e experimentação no uso das formas e das matérias.
Ângelo de Sousa (Maputo, Moçambique, 1938 - Porto, Portugal, 2011)Sem título, 1975- Tiras de aço inoxidável
- 200 x 430 x 200 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1993
- A série de esculturas "Sem título", realizada entre 1970 e 1972 por Ângelo de Sousa, é constituída por sete elementos compostos por tiras de aço inoxidável ligadas por parafusos de aço. Pode ser entendida como uma elegante materialização do desenho, meio em que o artista também se notabilizou.A escultura de Ângelo de Sousa revela-se como exercício de construção do desenho no espaço, em que a forma é uma consequência do que é possível realizar a partir do material escolhido. Não se trata, no entanto, de dar volume ao que era representação bidimensional numa situação de projeto. A aparência deliberadamente improvisada das suas obras decorre justamente de "uma certa premeditação no sentido de deixar as coisas acontecerem". Existe um interesse por parte do artista em tornar transparente o seu processo de trabalho, executando esculturas que partem de ações simples, como cortar e dobrar, num absoluto respeito pelas características físicas dos materiais.Descrevendo-se como um "expressionista sublimado", Ângelo de Sousa trabalhou em diferentes meios, como o desenho, a pintura, a escultura, a fotografia, o filme ou a cenografia. Manteve-se sempre à margem das diversas correntes artísticas com que foi conotado, embora o seu singular imaginário tenha encontrado afinidades em artistas como Klee e Kandinsky, nas artes primitivas e na arte bruta, no expressionismo ou em movimentos como a pintura Colour Field, a Op Art ou a arte pop. Simultaneamente livre e pluridisciplinar, o artista resistiu a qualquer forma de estabilidade através de um persistente sentido de liberdade e experimentação no uso das formas e das matérias.
Ângelo de Sousa (Maputo, Moçambique, 1938 - Porto, Portugal, 2011)Água no chão, 1976- Filme Super 8 transferido para DVD, cor, sem som, 2'27''
- Col. Estate Ângelo de Sousa, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2000
- Ângelo de Sousa é um dos artistas portugueses mais importantes da sua geração. Os seus trabalhos em pintura, escultura, desenho, filme, vídeo e fotografia são informados por um profundo conhecimento das grandes correntes artísticas do seu tempo, do minimalismo à arte conceptual e ao filme experimental. O grande experimentalismo da sua obra revela-se num conjunto restrito de interesses reiteradamente explorados e em constante atualização processual: o apego a formas simples ("ao alcance de todas as mãos"), o uso apurado da cor (incluindo na escultura), a indiferença pelos aspetos narrativos da arte e a exploração das possibilidades técnicas oferecidas pelos meios (como as camadas de tinta na pintura, o recorte e a dobragem dos metais na escultura, a liberdade do traço no desenho ou as velocidades de filmagem e de projeção no filme e no vídeo). "Água no chão" pertence a um conjunto de trabalhos, realizados na década de 70 com uma câmara Super 8, a que o artista se referiu como "filmes de chão". Trata-se de experiências fílmicas que exploram os efeitos pictóricos da imagem (cor, luz, profundidade, definição) e que registam a relação performativa do corpo do artista com os espaços percorridos. Resultado casual de deambulações com a câmara de filmar na mão apontada ao solo, a planificação destes filmes cinge-se, na maioria das vezes, ao controlo da luz e à adaptação do motivo captado à quantidade de película existente. Os resultados, com as suas desfocagens, a desaceleração da imagem e um efeito geral de arrastamento reminiscente do impressionismo, viriam a revelar-se importantes nas suas pinturas e desenhos dos anos 1980.Descrevendo-se como um "expressionista sublimado", Ângelo de Sousa trabalhou em diferentes meios, como o desenho, a pintura, a escultura, a fotografia, o filme ou a cenografia. Manteve-se sempre à margem das diversas correntes artísticas com que foi conotado, embora o seu singular imaginário tenha encontrado afinidades em artistas como Klee e Kandinsky, nas artes primitivas e na arte bruta, no expressionismo ou em movimentos como a pintura Colour Field, a Op Art ou a arte pop. Simultaneamente livre e pluridisciplinar, o artista resistiu a qualquer forma de estabilidade através de um persistente sentido de liberdade e experimentação no uso das formas e das matérias.
Ângelo de Sousa (Maputo, Moçambique, 1938 - Porto, Portugal, 2011)A Mão, 1976- Filme Super 8 transferido para DVD, cor, sem som, 6'28''
- Col. Estate Ângelo de Sousa, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2000
- Ângelo de Sousa é um dos artistas portugueses mais importantes da sua geração. Os seus trabalhos em pintura, escultura, desenho, filme, vídeo e fotografia são informados por um profundo conhecimento das grandes correntes artísticas do seu tempo, do minimalismo à arte conceptual e ao filme experimental. O grande experimentalismo da sua obra revela-se num conjunto restrito de interesses reiteradamente explorados e em constante atualização processual: o apego a formas simples ("ao alcance de todas as mãos"), o uso apurado da cor (incluindo na escultura), a indiferença pelos aspetos narrativos da arte e a exploração das possibilidades técnicas oferecidas pelos meios (como as camadas de tinta na pintura, o recorte e a dobragem dos metais na escultura, a liberdade do traço no desenho ou as velocidades de filmagem e de projeção no filme e no vídeo). Descrevendo-se como um "expressionista sublimado", Ângelo de Sousa trabalhou em diferentes meios, como o desenho, a pintura, a escultura, a fotografia, o filme ou a cenografia. Manteve-se sempre à margem das diversas correntes artísticas com que foi conotado, embora o seu singular imaginário tenha encontrado afinidades em artistas como Klee e Kandinsky, nas artes primitivas e na arte bruta, no expressionismo ou em movimentos como a pintura Colour Field, a Op Art ou a arte pop. Simultaneamente livre e pluridisciplinar, o artista resistiu a qualquer forma de estabilidade através de um persistente sentido de liberdade e experimentação no uso das formas e das matérias.
Ângelo de Sousa (Maputo, Moçambique, 1938 - Porto, Portugal, 2011)Um jardim catóptrico (Teuseus), 2002- Aço corten, espelho (11 elementos)
- 234 x 41 x 41 cm (cada)
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2002
- As esculturas de Ângelo de Sousa (Lourenço Marques, Moçambique, 1938 - Porto, Portugal, 2011) são exercícios em forma construída no espaço. Localizada no limite norte do Parque, não muito longe da Casa, Um jardim catóptrico (Teuseus) consiste num conjunto de onze pares de espelhos verticais, cada par formando um ângulo reto, que refletem o Parque e os seus visitantes. De acordo com o artista: "A ideia era realizar uma instalação que fosse muito discreta, que ficasse escondida, perdida na natureza em que se encontra (?). Em resultado do reflexo da luz (daí o ‘catóptrico’ no título), o meio circundante reflete-se em várias superfícies espelhadas que se tornam um jogo nos pontos em que a imagem do visitante é continuamente revelada e ocultada, fundindo-se com a paisagem. Esta obra foi encomendada para o programa Porto 2001: Capital Europeia da Cultura e instalada no parque de Serralves em 2002.
Sousa, André
André Sousa (Porto, Portugal, 1980)Parábola, 2014- Tinta acrílica sobre tecido de algodão, tubos de cobre, fio do norte
- Dimensões variáveis
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2014
- "Parábola" (2014), de André Sousa (Porto, 1980), consiste numa pintura com 29 metros de comprimento sobre algodão suspenso por meio de tubos de cobre e fio do norte. A forma desfraldada da pintura inspira-se na bandeira da vitória do navio-almirante da Batalha de Lepanto, travada entre os estados marítimos cristãos e a frota do exército otomano em 1571, conservada no museu da catedral de Santiago de Compostela. Entre outras referências da obra incluem-se The Star-Spangled Banner, exposta em Washington D.C., e o sudário de Turim. Parábola, autêntico atlas visual, alterna rabiscos, gatafunhos, manchas e borrões aparentemente indiscriminados com plantas e insetos meticulosamente desenhados e composições geométricas reminiscentes da pintura modernista do século XX. As pinturas de André Sousa não obedecem às convenções tradicionalmente atribuídas à disciplina, como tinta aplicada a um suporte de madeira ou tela engradada. As suas pinturas são simultaneamente arquiteturas, paisagens e personagens numa narrativa encenada que invoca memórias visuais.
Starling, Simon
The Pink Museum: Photografic Studio in Rua Passos Manuel, Outside of Serralves Villa in Rua de Serralves, Museum in Rua da Alegria, Collection Liga dos Combatentes, Machine gun, Club, Hand grenade, Helmet, Basket, Shell transportation basket, Chair , Pot plant, Ammunition case, Mine antipersonnel, 2001- O Museu Cor-de-Rosa: Estúdio Fotográfico na Rua Passos Manuel, no exterior da Casa de Serralves na Rua de Serralves, Museu na Rua da Alegria, Coleção Liga dos Combatentes, Metralhadora, Club, Granada de mão, Capacete, Cesto, Cesta de transporte, Cadeira, Vaso, Caixa de munições, Minas antipessoal, 2001
- Fotografia a cores sobre papel (16 elementos). Ed. 1/10
- 75 x 98.3 cm (cada)
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2006
- Em "The Pink Museum" Simon Starling explora simultaneamente a exposição de objetos - sob a perspetiva de como a sua encenação particular influencia o seu significado - e a história do colonialismo português. A instalação de dezasseis fotografias foi originalmente produzida em 2001 para a exposição "Squatters", apresentada na Casa de Serralves e em diferentes locais da cidade do Porto e, mais tarde, nesse mesmo ano, no Centro de Arte Contemporânea Witte de With (Roterdão). Depois de visitar a Casa de Serralves e o Museu da Liga dos Combatentes, que tinham ambos paredes cor-de-rosa, Starling fotografou, num estúdio propositadamente instalado para o efeito, dez objetos da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais, assim como da Guerra Colonial portuguesa, pertencentes à coleção do Museu. Para além destas fotografias, produziu também imagens de cada um dos três "locais de exposição cor de rosa" no Porto: a Casa de Serralves, o Museu da Liga dos Combatentes e o espaço alternativo Maus Hábitos.
Stratmann, Veit
Para o Porto, 2001- Ferro pintado (2 elementos)
- 110 x 105 x 83 cm (cada)
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Doação do artista em 2015
- Constituída por duas estruturas em ferro, "Para o Porto" assemelha-se ao mobiliário urbano permanente que confronta o transeunte. Nas palavras do artista: "Oferece aos transeuntes a possibilidade de escolherem se são afetados pelo estatuto das estruturas com que deparam, de escolherem como qualificar esse estatuto, de nomearem o uso que delas podem fazer e de escolherem a distância que desejam estabelecer entre essas estruturas e eles próprios". Concebida para "Squatters/Ocupações", uma exposição coproduzida por Fundação de Serralves, Sociedade Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura e o Centro de Arte Contemporânea Witte de With, em Roterdão, a obra foi originalmente exposta no Palácio de Cristal, na cidade do Porto. Foi instalada no Parque de Serralves em 2005.
Pour le Parc, 2007- Para o Parque, 2007
- Estrutura em ferro, assentos rebatíveis em plástico, aço (3 elementos)
- 52 x 207 x 62 cm (cada)
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2010
- Veit Stratmann (Bochum, Alemanha, 1960) intervém em cenários urbanos e naturais, refletindo sobre o espaço circundante e a sua utilização. "Pour le Parc" [Para o Parque] consiste num conjunto de três (dos quinze originais) bancos giratórios espalhados pelo Parque de Serralves, cada um constituído por quatro assentos dobráveis em plástico, montados numa estrutura metálica capaz de rotações 360º. A dimensão dos bancos, a neutralidade das suas formas e cores, os materiais utilizados e a sua disposição, que confere à obra o aspeto de mobiliário de rua, convidam os observadores a meditar sobre os seus hábitos de olhar e as suas ideias acerca do espaço. A obra foi concebida pelo artista em 2007 para o Parque integrada numa exposição organizada pelo Museu de Serralves nesse mesmo ano.
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